Regional

Piratininga deposita lixo irregular

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 2 min

As quatro toneladas de lixo orgânico e inorgânico recolhidas diariamente na cidade de Piratininga (13 quilômetros a Oeste de Bauru) são jogadas em valas e cobertas com terra. O depósito fica em uma propriedade rural, particular, na vicinal Piratininga-Agudos. O sonhado aterro sanitário deve ser instalado até o final do ano que vem, isto porque a Cetesb, que autoriza o funcionamento, suspendeu a licença e a prefeitura vai ter que adquirir outra área.

A suspensão da Cetesb ocorreu no ano passado quando proprietários rurais vizinhos se mobilizaram contra a instalação do aterro sanitário. No ofício enviado pela companhia para a prefeitura, a existência de contradições no processo foi a causa apontada.

A área escolhida de 4 alqueires, na Água da Faca, está sem utilidade, explica o prefeito, Odail Falqueiro. “Na época, estávamos com a obra licitada. Tivemos que reincidir o contrato com a empresa.”

Para instalar o aterro sanitário, o município terá que vender a área e adquirir outra. “Ainda não temos local definido. Por enquanto, estamos despejando o lixo em valas, numa propriedade rural particular.”

A coleta seletiva caminha a passos lentos, de maneira demasiadamente tímida. De terça e quinta-feira, o caminhão da prefeitura recolhe o lixo reciclável, mas poucos moradores colaboram com a coleta. Tanto que é possível verificar “in loco” que junto com o lixo orgânico há grande quantidade de inorgânico.

O prefeito reconhece que a coleta seletiva é ainda uma utopia na cidade. “Vamos desenvolver campanhas para incentivar os moradores a se habituarem a separar o lixo doméstico do reciclável.”

Inconformismo

O professor de direito Marcos Amaral tem uma propriedade rural ao lado do “lixão” de Piratininga e não se conforma com o que está sendo feito no local. “Aquela área é de proteção ambiental e em função disso está vedado o depósito de resíduos sólidos.”

Ele evoca a lei estadual 10.773/01 para sustentar sua tese de inconformismo. “O lixo doméstico pode contaminar o lençol freático, uma vez que está sendo depositado em valas sem qualquer impermeabilização do solo. A Cetesb não autorizou o depósito de lixo naquela fazenda.”

Segundo ele, o “lixão” fica a 300 metros de um dos afluentes do rio Batalha. “A lei diz que nas áreas de preservação ambiental não se pode fazer escavações, como as que vêm sendo feitas na Fazenda Vilani.”

Ele promete acionar a prefeitura na Justiça, na busca de uma solução, “A fazenda é de minha mãe e ela não se conforma com o que está sendo feito. Nós queríamos uma solução amigável. Tentamos o diálogo e o prefeito prometeu uma solução rápida. Alegou que o local era provisório, porém, já se passou um ano.”

Para ele, além do lixo, o local se tornou um perigo à saúde pública. “Tem muitos pneus e isso pode significar um perigo à saúde da população. Servem de criadores de mosquitos.”

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