O próximo dia 21 ficará marcado na história de Bauru. Neste dia, às 18h, o palco do Teatro Municipal “Celina Lourdes Alves Neves” receberá o primeiro concerto da Orquestra Experimental São Miguel Arcanjo. O grupo, que apresentará um programa especial de Natal, é primeira grande orquestra de Bauru nos últimos 60 anos.
A cidade já possuiu uma corporação musical nos mesmos moldes de 1931 a 1943, a Sociedade de Concertos Sinfônicos de Bauru, composta por 33 músicos sob a regência de Guilherme Barberi. O grupo foi extinto quando seu condutor se mudou para São Paulo.
Desde então a cidade nunca mais teve uma orquestra deste porte. Atualmente, Bauru conta com a Orquestra de Câmara da Universidade do Sagrado Coração (USC), a Veritas, também da USC - que é uma big band - a Camerata Filarmônica e a Banda Sinfônica Municipal, além da Banda Marcial do Liceu e fanfarras de escolas.
Cada uma tem seu formato específico e nenhuma delas tem a caracterização instrumental da nova orquestra, que atuará com 48 músicos em todas as seções instrumentais: sopros, cordas, metais e percussão.
A criação da São Miguel Arcanjo está diretamente ligada ao sonho e à força de vontade do seu condutor, Jorge Arruda. Multiinstrumentista autodidata, Jorge foi quem conseguiu reunir todos os músicos em torno do projeto de criação do grupo.
“Entrei para a Banda do Liceu quando tinha 14 anos, lá aprendi muito e sempre tive o sonho de criar uma orquestra”, revela. Depois de tocar de 1977 a 1990 no grupo do Liceu, o músico ficou cinco anos sem atuar até ser convidado pela maestrina Sônia Berriel para fazer a percussão nas apresentações do Coral Arte Viva.
“A Sônia foi quem me deu a oportunidade de escrever arranjos diferentes para as apresentações do coral”, conta Jorge. A cada recital seus arranjos foram ficando mais elaborados e com a participação de mais instrumentistas. “Fui conhecendo mais músicos e a idéia da orquestra foi tomando forma”, diz.
No final do ano passado o grupo - formado por 27 músicos locais, 19 de Tatuí e dois de Lençóis Paulista - já existia e estava pronto para se apresentar quando alguns contratempos impediram a estréia.
Em abril deste ano, Jorge voltou a reunir os músicos. Em Julho já havia um repertório e os ensaios começaram com a dedicação total do grupo, que se reunia nos finais de semana.
Segundo Rodrigo Gianessi, aluno do Conservatório de Tatuí que toca viola na orquestra, no início a idéia de unir músicos de cidades diferentes parecia impossível. “Depois que a gente viu o esforço do pessoal daqui (Tatuí) e do Jorge, não tivemos dúvida de que valia a pena”, diz o músico, que também atua na Sinfônica Paulista e a Orquestra de Câmara da USC.
Para o músico cubano Dusneiky Martinez Marin, que vive há um ano no Brasil e já atuou na Orquestra Sinfônica de Cuba, a criação da São Miguel Arcanjo veio para corrigir uma falha. “Bauru é uma cidade grande, precisa de uma orquestra há muito tempo para enriquecer a cultura musical local”, diz. “Todo mundo que está participando desse projeto tem vontade de trabalhar e tem a esperança de que o grupo continue”.
Segundo Jorge, o concerto no dia 21 é apenas o primeiro. A intenção do grupo - que em 2004, quando for registrado, deve perder o “Experimental” do seu nome - é atuar regularmente.
O concerto
A apresentação de estréia da orquestra faz parte da Campanha Natal Tamanho Família - Tudo Pra Todo Mundo, idealizada pelo Jornal da Cidade com o patrocínio da TIM Celular, Aiello Urbanismo, Flag Petróleo, Sukest e Transurb, e o apoio da 96FM e da Prefeitura Municipal.
O repertório do concerto deve privilegiar os clássicos mais populares, como “Carmina Burana”, de Orff, e “Carmen”, de Bizet, entre outros. A apresentação terá a participação do Coral Arte Viva em sua segunda parte.
Para o diretor do Grupo Cidade, Renato Zaiden, a criação da orquestra é um passo importante para a cultura local, pois vai possibilitar o contato de um grande número de pessoas com a música erudita da melhor maneira que ele pode ocorrer, ao vivo.
Jorge concorda. “Muitas pessoas conhecem algumas músicas mas não sabem que são os autores ou que aquela música é parte de uma obra maior. Quando a pessoa se acostuma a ver uma orquestra ao vivo ela aprende aos poucos, vai se interessando por conhecer mais, é um processo que só tende a crescer.
“Quem vai ganhar é a cidade, não viemos para competir com ninguém, até porque muitos dos músicos tocam em outras orquestras também. Viemos para somar, oferecer mais chances das pessoas ouvirem música”, define.