Araraquara - O assessor de Marketing das usinas da região de Araraquara, João Pereira Pinto, afirmou que o setor é contra a aprovação do projeto que amplia a distância mínima para queima da cana-de-açúcar. Ele disse que o impacto inicial da adequação à lei seria de aproximadamente 2,5 mil demissões e antecipa que as usinas questionarão o projeto, se aprovado pela Câmara Municipal, na Justiça.
O setor emprega hoje 15 mil pessoas. Pereira Pinto explicou que a ampliação de um para cinco quilômetros, na área mínima, representará cerca de três milhões de toneladas de cana que deverão ser colhidas sem a queima da palha. A argumentação é que para isso o setor teria que substituir mão-de-obra por máquinas. “Isso é impossível, as usinas não têm condições para se adequar a esta lei.”
Outro argumento usado pelo assessor é de que este é um assunto que deveria ser discutido em âmbito estadual e não por legislação municipal. Isso porque em sua avaliação a implantação, ainda que fosse possível, colocaria as usinas da região em desvantagem em relação às demais empresas do Estado. “Nós teremos custos maiores e menos empregados.”
Pereira Pinto enfatizou ainda que o objetivo central da proposta de Carlos Nascimento (PT), que é o fim das queimadas de cana, já consta em cronograma definido a partir de regulamentações estadual e federal.
Ele lembrou que o cronograma prevê 30 anos para o fim das queimadas em áreas não mecanizáveis e 20 anos para áreas mecanizáveis. Entende-se por áreas mecanizáveis aquelas que têm uma declividade menor que 12% e não mecanizável as com inclinação superior a 12%.
Segundo o assessor, 60% das áreas da região são mecanizáveis e o cronograma começou a ser executado em 20% durante o ano passado. A cada ano, explica Pereira Pinto, o percentual de redução das queimadas aumenta em 5%. “Então, já existe um trabalho com esta finalidade e este é um assunto que não se resolve de uma hora para outra. Às vezes, resolvemos um problema e criamos outro.”