Polícia

Coronel quer polícia mais intimidativa

Diego Molina
| Tempo de leitura: 3 min

O coronel Hermes Bittencourt Cruz, vice-presidente da Associação dos Oficiais de Reserva da Polícia Militar do Estado de São Paulo (Aorpm), afirma que o Estado está perdendo seu poder de intimidação, o que provoca o aumento da criminalidade e situações como os ataques às bases e delegacias de polícia que vêm ocorrendo em grandes cidades. Ele concorre à presidência da entidade na eleição, marcada para quinta-feira, e esteve em Bauru para divulgar as propostas da chapa que encabeça.

Cruz afirma que o Estado vem perdendo seu poder de intimidar ao mesmo tempo em que os bandidos elevam sua ousadia e poder de enfrentamento. “Face a essa percepção, ele ficaria impune e passará despercebido mesmo realizando ataques a policiais e à população”, diz.

Ele defende que o Estado realize uma mudança na Polícia Militar (PM), que faz o que ele chama de segurança envergonhada. “É necessário assumir uma força capaz de combater a criminalidade atual, de desenvolver um serviço de inteligência bastante próximo e evoluído, e também forças táticas com poder de fogo para dar resposta imediata”, afirma.

Segundo Cruz, o governo tem medo de desenvolver este tipo de ação por fazer certa conotação com o regime militar pelo qual o Brasil passou. “É necessário que os governantes se dispam deste receio. Há necessidade de se reverter o quadro do medo da população com respostas imediatas e adequadas do Estado”, declara.

Na opinião de Cruz, o papel da Aorpm é dar apoio aos policiais na ativa, ao mesmo tempo que tenta auxiliar as famílias vitimadas pelos ataques. “Entendemos que o Brasil, e principalmente as regiões metropolitanas, estão à mercê da violência, em clima de guerrilha urbana. Tentamos conscientizar os policiais a desenvolverem mecanismos defensivos contra este tipo de ataques”, diz.

Ele comenta que nas guerrilhas, assim como nos ataques à delegacias e bases da PM, há a intenção de desmoralizar os adversários - neste caso, os policiais. “Os ataques representam a seleção dos alvos, as vias de fuga pré-selecionadas com veículos velozes, a surpresa, armamento pesado, tudo como no contexto de uma guerrilha. A entidade se faz presente para manifestar o descontentamento com a insensibilidade das autoridades na segurança pública”, afirma Cruz.

O coronel elogia os projetos de aproximar os policiais da população, com a iniciativa de Polícia Comunitária em Bauru. “Antigamente, a polícia achava que a relação com o cidadão criaria uma intimidade que levaria à falta de respeito. A polícia moderna deixou de apenas receber o queixoso, ela vai ao encontro da população. É uma nova filosofia onde a polícia e a comunidade dão as mãos, numa iniciativa benéfica para todos”, comenta Cruz.

Atualmente a Aorpm conta com cerca de 4.500 oficiais na reserva, de tenentes a coronéis, 2.500 pensionistas e 500 civis. Além da sede regional em Bauru, que conta com 240 associados, ainda há representações da entidade em Ribeirão Preto, Campinas, Santos, Taubaté, Jacareí e Sorocaba.

A entidade está construindo uma nova sede em Bauru, com 1300 metros quadrados. Na opinião do vice-presidente regional, Sílvio Orti, a Aorpm sempre teve caráter social, porém vem ganhando um lado mais político com a atual diretoria.

“Este é um lado político e reivindicatório, pois a parte financeira é uma angústia não só dos inativos, mas também dos policiais que estão nas ruas. Ela é relacionada à eficiência do policial na rua, e eles não tem condições de fazer a pressão política que a entidade é capaz. Com o coronel Cruz, estes movimentos são liderados das formas que a democracia dispõe, com pressão política e um trabalho aberto, que tem obtido resultados positivos”, conclui Orti.

A eleição para a presidência da Aorpm será nesta quinta-feira, das 8h às 17h, na sede atual da entidade, que fica na rua Batista de Carvalho, 10-54.

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