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Complicação de catapora mata criança

Diego Molina
| Tempo de leitura: 3 min

A digitadora Meire Regina Gomes da Silva acusa o Hospital Estadual (HE) de Bauru de ter sido negligente e ter ocorrido em erro médico que teria provocado a morte de sua filha de 1 ano e 3 meses, na última quinta-feira. O hospital nega. A menina estava com catapora e sofreu uma parada cardiorrespiratória, em virtude de uma inflamação conseqüente da doença.

A mãe registrou boletim de ocorrência no 4º Distrito Policial e aguarda o inquérito que vai apontar a causa da morte e se a equipe do hospital realmente poderia ter evitado o falecimento da criança.

De acordo com Meire, sua filha estava com catapora havia cinco dias e um pouco desnutrida, pois não conseguia ingerir alimentos nem leite. Em razão de duas pequenas manchas na pernas esquerda, na manhã do dia 3 ela levou a menina até o Pronto-Socorro (PS) Bela Vista, onde uma médica requisitou exames de raio-x da perna e do pulmão.

“O resultado apontou que eram hematomas superficiais, nada profundo. Eu esperei no PS até 16h30, quando conseguiram uma vaga no Hospital Estadual, pois a médica havia indicado que ela fosse internada”, conta Meire.

Depois de acomodadas no HE, uma médica teria examinado a menina, porém segundo a mãe, até as 19h30, ela não havia recebido nenhum medicamento e o hematoma em sua perna havia aumentado bastante.

“Por volta de 20h30, duas enfermeiras foram ao quarto para dar a medicação e tentaram colocar o soro, mas não conseguiram. Ela estava muito fraquinha, sem comer quase nada. De madrugada e no começo da manhã, ela teve febre de novo”, conta a mãe.

De acordo com Meire, um médico que examinou a criança durante a manhã explicou que seria necessário realizar uma pequena cirurgia em sua perna. “Depois das 8h30, eu sai do quarto e ela ficou com a babá. Às 10h, ela teve febre e a médica deu um dipirona. Às 10h35, a febre não tinha cedido, e a mesma médica deu paracetamol para ela. Minutos depois, ela teve uma convulsão. Eles tentaram dar soro e reanimá-la, mas a convulsão foi muito forte, deu uma parada cardíaca”, relata.

A mãe acusa os médicos do HE de terem medicado a menina em excesso, sabendo que ela estava desnutrida, mal-alimentada e fraca. “Eu esperei duas horas e meia até ela ser medicada, e só no outro dia eles tomaram ciência da gravidade da situação em que minha filha estava”, contesta.

O inquérito será conduzido pelo delegado do 4.º Distrito Policial, Dinair José da Silva. No mês passado, uma outra criança morreu vítima de complicação de catapora no HE. De uma família de Sorocaba, a menina chegou a Bauru já em estado grave.

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Versão do hospital

A assessoria de imprensa do Hospital Estadual (HE) esclarece que a filha de Meire Regina Gomes da Silva foi encaminhada do Pronto-Socorro (PS) Bela Vista com diagnóstico de varicela (catapora) e celulite (inflamação) na coxa esquerda.

Depois de internada, a criança teria recebido tratamento com antibiótico, hidratação com soro, compressas e pomada na coxa. Às 10h30, ainda segundo a assessoria, a menina teria apresentado uma crise convulsiva, sido entubada e recebido medicação, porém já sem responder aos estímulos da massagem cardíaca.

“A garota teve uma parada cardiorespiratória, provavelmente provocada por septicemia (multiplicação de vírus no sangue, causando infecção), de evolução rápida com provável foco a celulite na coxa esquerda”, informa a assessoria.

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