A banda Los Hermanos, que se apresenta hoje à noite em Bauru, com certeza não é a mesma da época em que dominava as rádios com a música sobre aquela menina pela qual um amigo do grupo era apaixonado.
Marcelo Camelo (voz e guitarra), Bruno Medina (teclados), Rodrigo Amarante (voz e guitarra) e Rodrigo Barba (bateria) tomaram um novo rumo quando deixaram para trás a sonoridade de “banda de rock” do primeiro disco, “Los Hermanos”, e apostaram em colocar nas novas canções toda a mistura de influências que os rapazes carregam, de marchinhas de carnaval ao rock inglês.
O show de hoje faz parte da turnê do terceiro disco da banda, “Ventura”, lançado no primeiro semestre deste ano. Claramente, ele é a evolução sonora do segundo filhote dos rapazes, “Bloco do Eu Sozinho”, o disco que provocou a ira dos engravatados da Abril Music por sua sonoridade única, diferente e difícil, na opinião deles. Contrariando as hipóteses, o disco ganhou seu público e já foi eleito entre os melhores álbuns do rock e da música nacional por diversas publicações especializadas - merecidamente.
Os Hermanos mudaram de gravadora - hoje estão na BMG, depois da falência da Abril - produziram o terceiro disco da maneira que queriam e seguem lotando shows pelo Brasil em uma carreira sólida. Shows menores do que os “daquela” época, porém com público fiel que canta as músicas como “Todo Carnaval Tem Seu Fim”, “Casa Pré-Fabricada”, “Cara Estranho” e “O Vencedor” e todos os respiros, do começo ao fim.
A reportagem do JC conversou com o tecladista da banda Bruno Medina. Confira a seguir os melhores trechos da entrevista. E aos desavisados: assim como nos últimos (todos) os shows, a banda não deve tocar a música sobre aquela menina.
JC - Como está a turnê do Ventura? Bruno Medina - A gente já tocou em quase todas as capitais, então estamos voltando para colher os frutos da época em que o disco ainda não estava tão divulgado. E estamos começando a fazer algumas coisas no Interior, principalmente de São Paulo. Nesta semana, fazemos três shows, em Bauru, Botucatu e Pirassununga.
JC - Depois que a banda estourou, vocês tocaram até em feiras agropecuárias, para públicos maiores. Agora isto mudou um pouco. O perfil do público também está diferente? Medina - Com certeza. A gente tem feito show menores, mas que são só nossos, para um público só nosso. Eventualmente, a gente faz festivais, que são públicos maiores. Não que seja uma coisa depreciativa, mas naquela época em que a gente fazia feiras, a maioria das pessoas nunca tinha ouvido falar da banda, não sabia muito o que era. Hoje, eu sinto que é mais fácil, as pessoas conhecem a banda, o show rola melhor.
JC - Quem acompanha a carreira de vocês vê que o público do Los Hermanos é bastante fiel. Medina - Eu sinto que existe uma identificação bastante forte, não sei se pelas letras, pela postura da banda... Não sei exatamente qual é o motivo, mas realmente existe uma fidelidade. De alguma forma, é diferente. Nós temos um show que não é de hits. As pessoas que vão ao nosso show normalmente conhecem os discos inteiros, sabem cantar todas as músicas. E isto deixa a gente muito feliz, porque significa que eles gostam da banda.
JC - Enquanto vocês preparavam o “Ventura”, ficaram sabendo do fim da Abril Music, e hoje estão na BMG. Dá para manter a independência em uma grande gravadora? Medina - A gente chegou na BMG com muita coisa vivida. Acho que quando eles “compraram” a banda, sabiam de todo o histórico de problemas que a gente tinha tido com a Abril. Eu posso confessar que na BMG, a gente não teve problema nenhum. O disco foi feito do jeito que a gente quis, com as pessoas que a gente quis.
JC - As músicas do “Ventura” vazaram para a Internet antes do lançamento. Isto prejudicou ou ajudou a banda? Medina - Eu acho que ajudou. Mas não era o disco, era a gravação de um ensaio, que estava malgravado. É meio chato porque você se prepara para lançar um disco, faz as músicas com cuidado, e depois sai um ensaio todo desafinado, você parando no meio da música, é chato. Mas acabou ajudando, porque nos primeiros shows, as pessoas já sabiam cantar as músicas.
JC - A banda está tomando uma iniciativa diferente e única no Brasil, criando um clube no site (www.loshermanos.com.br). Medina - Ainda estamos estudando uma forma de fazer este serviço melhor. As pessoas gostaram da iniciativa, entenderam que o site vai continuar o mesmo e que vai ter um material extra para os sócios. Quem não pagar, não vai perder nada, vai continuar tendo o mesmo número de MP3 e de vídeos que tinha. Na parte do clube, vai ter sempre um material especial.
• Serviço
Show do Los Hermanos, hoje, às 23h, na Cervejaria dos Monges. Avenida Getúlio Vargas, 7-50. Informações: (14) 3234-7773.