Uma operação da Prefeitura Municipal de Bauru para tapar buracos e nivelar ruas de terra do bairro Pousada Esperança 1 trouxe uma surpresa nada agradável aos moradores do local. O material utilizado para o serviço estava repleto de restos de lixo e só foi substituído depois de muita reclamação.
O segurança Maurício Ribeiro diz que ficou revoltado ao ver que a terra continha até luvas descartáveis usadas em consultórios e hospitais. “Essa já é a terceira vez que isso acontece por aqui e não dá para agüentar. Tem muito lixo”, desabafa.
Ribeiro afirma que está cansado de reclamar da qualidade do serviço. “Nas outras vezes, a prefeitura disse que iria tomar providências, mas nunca tomaram. Eles dão orientações sobre dengue e outras doenças, mas depois jogam esse lixo e o deixam abandonado”, declara.
Segundo a esposa do morador, Cibele Aparecida Ribeiro, os transtornos causados pela mistura de terra e lixo são grandes. “Basta começar a cozinhar para as moscas aparecerem. Sem contar que entram baratas dentro de casa e outro dia o meu cachorro matou uma ratazana”, conta.
Outra moradora do bairro, Izaura Rocha Alves, estava preocupada com a possibilidade de chuva. “Quando isso ocorre, o lixo é desenterrado e, depois que seca, o mau cheiro se torna insuportável”, reclama.
Ela afirma que chegou a indagar um funcionário da prefeitura sobre a quantidade de sujeira que havia no material utilizado. “Ele disse que iria aplanar o terreno e jogar uma camada de terra limpa por cima”, diz.
Supresa
O secretário municipal das Administrações Regionais (Sear), Arlindo Figueiredo, se mostrou surpreso ao ser questionado pela reportagem sobre a presença de restos de lixo na terra que servia para nivelar as ruas da Pousada da Esperança 1. “Isso não é o procedimento normal. É a primeira vez que recebo reclamação deste tipo”, informou.
Ao constatar o problema, o secretário determinou a troca do material, o que foi feito durante a tarde de ontem.
Segundo Figueiredo, a terra para fazer este tipo de serviço vem de diversos locais da cidade, inclusive propriedades particulares. “Quando alguém tem uma área qualquer e precisa retirar terra, temos um modelo de requerimento para que ele doe esse material. Se houver a concordância, a lei nos permite entrar nesse terreno com máquinas e caminhões para executar a tarefa”, explica.
O secretário diz que o problema de lixo em aterros é uma questão cultural. “O povo o joga em qualquer lugar. O cidadão está fazendo uma reforma na casa dele e aluga uma caçamba para colocar o entulho. Alguns dias depois, você passa e vê um monte de lixo em cima”, lamenta.