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Netos são os melhores professores

Rose Araujo
| Tempo de leitura: 3 min

Os netos têm sido os grandes incentivadores dos avós na aventura pelo “descobrimento” da informática. A vontade de compartilhar as maravilhas da tecnologia com as crianças, que dominam facilmente os teclados, está levando de volta para a sala de aula muitas pessoas que já passaram dos 50 anos.

É o caso da aluna da Universidade Aberta da Terceira Idade Rosa Gusmã Assis. Ela se diverte com os netos Isabela e Arthur Assis nos mais diversos sites da Internet. “Estou sempre procurando coisas novas para mostrar para eles”, conta.

Ela começou a sua “viagem” por esse mundo novo há cinco anos, depois de driblar o medo e a insegurança. “Eu tinha a impressão de que nunca conseguiria aprender a mexer no computador”, lembra.

Por se sentir constrangida, Rosa evita as aulas convencionais de informática, ou seja, que tenham entre os alunos pessoas bem mais novas que ela. “Me sentia mal junto com essa ‘molecada’. Não era fácil acompanhá-los”, diz.

Só quando percebeu que podia aprender informática junto a pessoas com a mesma faixa etária, Rosa se matriculou no curso. “Comecei devagar e hoje não tenho problemas em navegar na Internet, trocar e-mails ou mesmo redigir textos no Word”, ressalta.

É claro que os netos têm dado uma grande força para a avó. “Eles me ensinam muita coisa, pois têm uma grande facilidade em mexer no computador”, diz.

Já a colega de universidade de Rosa, Anália Pietroforte Agnelli, não tem muita simpatia pela rede mundial de computadores. “Prefiro escrever textos no Word”, conta.

Quando entrou na universidade, Anália duvidou que as aulas de informática atraíssem o pessoal da terceira idade. “Eu nunca tinha me interessado por isso e duvidava que alguém da minha idade pudesse gostar”, lembra.

Depois da primeira aula, a má impressão continuava. “Achei difícil e não botei fé que aprenderia”, diz. Aos poucos, ela foi entendendo o funcionamento da máquina e apreciando o mundo digital. “O computador não me fazia falta, até eu começar a usá-lo”, destaca.

No caso de Anália, o incentivo da neta, Verônica Agnelli Chiarelli, 7 anos, foi fundamental. “Ela me estimula bastante a aprender”, conta.

Necessidade

O engenheiro aposentado José Cabral não chegou a conhecer o mundo da informática enquanto exercia a sua profissão. Há 20 anos, quando se aposentou, esse equipamento ainda era pouco conhecido. “Trabalhava nos padrões analógicos. Nunca precisei usar computador no meu trabalho”, conta.

O que o levou a entrar em um curso do gênero aos 69 anos de idade foi a curiosidade. “Queria entender esses termos que todos usam e descobrir outro universo”, diz.

O primeiro passo foi adquirir um equipamento. Depois, ele contratou um professor particular para aprender o básico. A terceira etapa foi o ingresso no curso da universidade.

A esposa, Carmen Maria Machado Cabral, gostou da idéia e seguiu José na empreitada. “Ela também se interessou pelo assunto e quis aprender. Hoje, mexemos juntos no micro”, conta.

O que Cabral ainda não “digeriu” muito bem foi a Internet. “Não despertei para isso ainda. Prefiro não mexer muito”, destaca.

Os netos, mais uma vez, são os que mais usam o equipamento na casa do avô. “Eles já nascem sabendo usar e têm uma grande necessidade disso, pois hoje tudo gira em torno da informática”, ressalta.

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