Tribuna do Leitor

UM SONHO CADA VEZ MAIS LONGE...


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Quando assisto pela televisão jogos de futebol realizados na Europa fico encantado com a organização e o profissionalismo que envolvem aqueles campeonatos. A cada gol marcado vejo a torcida próximo ao campo, não tendo a presença alambrados, comemorando o gol de sua equipe bem próximo ao seu ídolo, que na grande maioria dos clubes são jogadores brasileiros. Isso me faz sonhar em um dia ir a um estádio brasileiro e ter essa mesma oportunidade, sem grades separando a grande torcida daquele tão belo espetáculo. Considero que essa diferença entre Europa e Brasil é dada por diversos fatores históricos, culturais, políticos e econômicos, mas precisamos iniciar logo uma mudança, pois corremos risco de acabar com a nossa mão de obra (ou melhor pé de obra) mais valorizada, que é o jogador de futebol.

Sinto essa diferença quando presencio cenas como aquelas que foram vistas na final do campeonato de futebol amador de Bauru, realizado pela Liga Regional de Futebol Amador, no Mirante Ferroviário no último dia 7/12/2003 entre as equipes do Nacional e Parquinho. Uma verdadeira batalha se instalou no campo, ofuscando o belo jogo que fez do Parquinho bi-campeão.

Mas o que tem a ver um simples campeonato amador com a diminuição da qualidade técnica do jogador de futebol brasileiro? A questão parece ridícula, mas é muito óbvia, e a resposta fica evidente quando se analisa os acontecimentos em uma esfera maior.

Naquele local encontravam-se centenas de crianças que adoram futebol, centenas de jovens que “respiram” futebol, e que ao irem ao campo têm como exemplo a falta de respeito e a violência. Começando com os pais na beira do gramado atirando objetos para dentro do campo com objetivo de acertar o jogador do time adversário ou algum integrante da arbitragem, passando pela falta de competência da organização do campeonato em não tomar providências e deixar superlotar o pequeno campo dificultando o trabalho da polícia, além da falta de consciência de algumas pessoas que vão em campo não para torcer e sim brigar com o cidadão que ao seu lado veste a camisa e torce para a equipe adversária. O que podemos esperar desses jovens que vão ao campo e ao invés de ver um jogo de futebol presenciam cenas de luta como as praticadas por nossos ancestrais na luta pela sobrevivência.

Com certeza muitos pais não levam seus filhos aos campos por causa dessa violência, sem contar que os nossos jogadores consagrados preferem brigar com o adversário do que participarem da disputa dentro de campo e fazem apologia a essa violência nas suas declarações. E como o garoto ou a garota irá gostar de futebol se eles não conseguem ir ao menos assistir uma final de campeonato amador? Estamos formando pessoas que irão gostar de futebol ou irão gostar de algum esporte mais violento? Claro que esse distanciamento das crianças de um bom futebol só irá contribuir para que a sua criatividade desapareça e seu interesse pelo futebol acabe, assim teremos menos jovens praticando o futebol.

Chego a essa conclusão entristecido, pois como um apaixonado por futebol vejo que estamos lentamente acabando com o que por muitos anos nos deu alegria e fez com que o nosso país fosse reconhecido mun dialmente. Faço desse relato um apelo para que as pessoas envolvidas com esse esporte procurem formas para que ele volte a ser agradável e que as empresas que patrocinam esses eventos invistam mais nas categorias menores, não com a finalidade de formarem superatletas, mas sim formarem cidadãos, que no futuro possam ir a um estádio de futebol sem a preocupação com a violência, e possam retornar a suas casas após o jogo com a roupa e a consciência limpas como se estivessem voltando de um grande espetáculo musical. (Carlos Rogério Thiengo - RG 29.416.749-3)

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