Senhora Érika Canal Woelke: li sua carta comentando sobre a minha opinião favorável à volta da carrocinha em Bauru para auxiliar na captura dos cães doentes contaminados pela leishmaniose. Pois lhe informo que estou bem informada sobre este assunto.
Senhora Érika, em momento algum citei nomes para ofensas a quem quer que seja em minha carta, pois este não é meu costume de vida, e mesmo ainda de escrita pública. Isto foi o que a senhora o fez, ofender gratuitamente a uma pessoa a qual a senhora não conhece.
Se a senhora permitir, continuarei com a mesma opinião sobre a vinda da charmosa e saudosa carrocinha para Bauru, pois esta foi muito útil e tenho certeza de que colocando este meio de recolher os cães doentes e errantes podemos sim contribuir para diminuir a doença que tira a vida. Respeito os animais, são criaturas de Deus também. No entanto, se oferecem perigos aos seres humanos, devemos tomar providências, pois não estou sendo desumana e sim humana ao externar minha preocupação com o próximo.
Sugiro à senhora para quando escrever uma carta publica não ofender pessoas por externarem opinião que diferem da sua. Minha opinião se externa no conhecimento e na dor de perder um ente amado, meu irmão, 2 meses atrás, que faleceu exatamente por esta doença. Portanto, conheço os perigos desta doença e suas conseqüências para os seres humanos na teoria e na prática.
Sugiro, se me permite, mais uma cousa: escreva com ponderação, isto é de suma importância, pois a raiva, o ódio e a agressão gratuita fazem mal para a pressão, o coração e, principalmente, aumenta as rugas no rosto e o maior mal de todos: a alma! Ah! Alma, fica triste. Pois quando se ofende alguém impiedosamente como senhora o fez, Deus fica muito triste e isto reflete na Alma.
Senhora Érika, lhe desejo uma boa semana, não somente à senhora, pois estendo a vossa família e a todas as demais. Que a Paz de Deus esteja presente em todos.
“No meio do caminho tinha uma pedra. Tinha uma pedra no meio do caminho. Tinha uma pedra. Nunca me esquecerei desse acontecimento na vida de minhas retinas tão fatigadas. Nunca me esquecerei que no meio do caminho. Tinha uma pedra. No meio do caminho tinha uma pedra. Tinha uma pedra no meio do caminho”. Carlos Drumond de Andrade. (Iris Linhares Ferreira de Mello - RG 5347238)