Regional

Convênio beneficia produtores de cana

Renê Gardim (*)
| Tempo de leitura: 2 min

Araraquara - O Ministério da Agricultura fechou na semana passada parceria com o Banco do Brasil (BB) e com o setor sucroalcooleiro para criar um mecanismo de financiamento do custeio dos canaviais. Pelo acordo, os fornecedores de cana e usinas firmam um compromisso de compra e venda do produto, com financiamento feito pelo Banco do Brasil.

O “BB Convir” é um convênio de integração rural que já existe há algum tempo, mas não incluía a produção de cana-de-açúcar. Pelos cálculos da instituição, a linha de crédito vai atender 315 usinas de açúcar e álcool, além de aproximadamente 50 mil fornecedores de cana no País.

Juntas, as regiões de Jaú e Araraquara possuem cerca de 2 mil produtores de cana, segundo dados da Associação dos Plantadores de Cana da Região de Jaú (Associcana) e da Associação dos Fornecedores de Cana de Araraquara (Canasol).

“Será uma via rápida para os fornecedores terem acesso ao crédito para produzir”, analisa o chefe do Departamento Técnico da Canasol, Luiz Henrique Scabello de Oliveira. A entidade reúne 400 produtores.

Oliveira explica que a maior parte dos seus associados tem contratos de fornecimento com as usinas, o que deve facilitar ainda mais o acesso ao crédito.

Se forem mantidas as regras do “BB Convir” tradicional, os fornecedores terão direito a financiar até R$ 60 mil para custeio da safra, com taxa de juro de 8,75% ao ano, segundo Oliveira. Um valor que vem auxiliar, mas não vai custear toda a produção.

“Grande parte dos produtores tem áreas com menos de 150 hectares”, lembra. “Se dividirmos este valor pela área, teremos R$ 400,00 por hectare. Isto é suficiente para pagar a adubação da terra.”

Mesmo assim, Oliveira entende que a proposta “é excelente”. “Teremos o detalhamento desse convênio nos próximos dias”, afirma. “Mas a proposta é atraente.”

Pelo protocolo de intenções, as entidades e as usinas irão assinar o convênio nas agências do BB onde têm suas contas e repassar as listas com os nomes dos fornecedores.

Uma das condições é que o produtor de cana tenha contrato de fornecimento com alguma usina. É o que o banco chama de “trava de domicílio bancário”, que servirá como garantia para o pagamento do empréstimo. O detalhamento do acordo será apresentado no começo do próximo ano.

Para o assessor das usinas em Araraquara, João Pereira Pinto, a exigência de contrato não deverá ser problema. “Hoje, somente os grandes produtores de cana não possuem acordo firmado com uma usina”, garante.

O assessor afirma que o período dos contratos de fornecimento é de cinco anos. â€œÉ o ciclo da cana que, a partir daí, a área passa pela renovação”, explica.

(*) da Tribuna Impressa especial para o JC

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