Do alto dos seus 61 anos, o bauruense Sebastião Veronez já dedicou mais de 40 deles à arte de consertar veículos, ou seja, à mecânica, profissão que abraça com amor e extrema dedicação desde adolescente. Desta forma, ele teve o “privilégio” de acompanhar a evolução da atividade, que passou por profundas transformações e exigiu, acima de tudo, seu aprimoramento pessoal.
Por isso, as comparações entre o “ontem” e o hoje da profissão são inevitáveis. Para Veronez, o mecânico de antigamente era obrigado a executar serviços mais pesados. “Freqüentemente tínhamos de mexer em câmbios, eixos e motores. Era trabalho que não acabava mais, pois a quantidade de oficinas era muito menor”, considera.
A improvisação também fazia parte do dia-a-dia dos profissionais da “antiga”. “É lógico que as ferramentas já existiam, mas muitas éramos obrigados a criar, pois nem a fábrica dos veículos as possuía”, conta Veronez. Ele cita como exemplo àquelas necessárias para regular embreagens, aferir suspensões e efetuar o alinhamento de direção. “O mecânico tinha de ser criativo para idealizá-las. Era complicado”, acrescenta.
Mas isso não quer dizer, complementa Veronez, que a diversidade atual de ferramentas tornou a atividade um “mar de rosas”. “Por este lado facilitou, mas os carros atuais são mais complicados para mexer, pois têm muito menos espaço para a gente movimentar-se nos consertos”, frisa.
Outra exigência moderna da profissão, o constante aperfeiçoamento, foi encarada com naturalidade por Veronez, que participou de vários cursos. “Senti dificuldade no começo, mas era necessário e uma questão de sobrevivência, pois os automóveis modernizaram-se com a presença de vários itens eletrônicos cuja adoção nem sonhávamos nas décadas passadas”, sustenta.
Tal procedimento é o principal conselho do experiente mecânico bauruense aos que estão iniciando na carreira. “Quem não acompanhar a evolução através dos estudos, vai ser complicado estabelecer-se no mercado”, alerta Veronez.
Mas apesar dos percalços da atividade e esbanjando bom humor, ele garante nunca ter ficado desmotivado. Prova disso é que, mesmo aposentado oficialmente há mais de dez anos, continua atuando como autônomo em uma oficina na sua residência. “Chegou serviço estou trabalhando”, frisa o mecânico.
Vocação
Desde adolescente, Veronez afirma que sabia que iria tornar-se um mecânico profissional. “Com 14 anos prometi isso para mim mesmo e, aos 16, já estava trabalhando como auxiliar em uma concessionária”, recorda.
Sua trajetória na profissão começou na década de 60, quando ainda residia no município de São Bernardo do Campo (SP) e efetuou o primeiro curso de especialização na área na Volkswagen. “Sempre tive vontade de mexer com isso, pois gostava de olhar outros mecânicos atuando. Além disso, adoro carros”, conta Veronez.
Com tamanha vontade, não demorou para ele ingressar em uma agência autorizada da marca em Birigui (SP), onde permaneceu por quatro anos. De lá, Veronez mudou-se para Bauru. Nesta, atuou como empregado em duas concessionárias, até que, após quase 21 anos, aposentou-se e abriu um negócio próprio no mesmo ramo. “Continuarei até a saúde deixar, pois ela manda”, finaliza.
____________________
Perfil
Nome: Sebastião Veronez Idade: 61 anos Profissão: Mecânico Hobby: Pescar e acampar Cor preferida: Azul Time do coração: Palmeiras Carro dos sonhos: Parati
Para quem o senhor nunca daria carona? “Para nenhum militar.”
E para quem o senhor faria questão de dar carona? “Para todas as que precisassem, principalmente os idosos.”
O que mais lhe irrita no trânsito bauruense? “Tirando os buracos, que todo mundo já cansou de falar, é a lentidão dos motoristas. Fico impaciente quando pego pela frente aqueles motoristas que ficam no meio da rua ou andando devagar na faixa da esquerda.”
Que nota o senhor daria aos motoristas bauruenses? “Sete.”