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Nós acreditamos em Papai Noel

Luly Zonta
| Tempo de leitura: 4 min

“Desde quando nasci tenho uma relação amorosa, quase que próxima mesmo, com o Papai Noel. Eu acredito em Papai Noel pra caramba. Eu acho que ele é um cara legal, que todo ano aparece para deixar a gente feliz. E se a gente não acreditar nele, não sobra muita coisa para acreditar, não é verdade!?”, afirma o empresário e trovador Ricardo Amantini, 36 anos, que quando era criança seu pai dizia que era Papai Noel, mas a mãe era quem colocava os presentes embaixo da cama na noite de Natal.

“A gente morria de vontade de ficar debaixo da cama, mas ela não deixava. E até o final ela dizia que quem fazia a entrega era o Papai Noel.”

Hoje, ele e a esposa Denise preservam a lenda do Papai Noel e os filhos Ricardinho, Rodrigo e Isabela deixam bilhetes na porta da geladeira com seus pedidos, que só são entregues pelo velhinho sob a árvore de Natal, depois da meia-noite.

A filha caçula deixa até leite e bicoitos para o velhinho, que inclusive aproveita o lanchinho. “Eles sabem que o presente somos nós quem compramos, mas a entrega ainda é mistério e a gente gostaria que fosse assim por muito tempo.”

Para a família de Elisabete Pelegrini Rodrigues e Marcelo Lopes Rodrigues, ambos de 38 anos, a presença da Papai Noel e uma casa em Bauru, bem na Praça Portugal, reforçam a crença no bom velhinho.

Na infância, o pai de Bete lhe dizia que o bom velhinho não existia de fato, mesmo assim ele não deixava de se vestir como Papai Noel na véspera do Natal e distribuir presentes. “Ele fazia a gente saber que era uma fantasia, mas fazia a gente vivenciar essa fantasia”, recorda-se.

Ela conta que desde que seus filhos Giovana, 4 anos, e Rodrigo, 3 anos, nasceram, o casal cultiva a lenda do Papai Noel, coloca os presentes embaixo da árvore.

“Nós procuramos fazer todo um ritual. E enquanto isso for possível, a gente vai continuar contando a lenda do Papai Noel para eles.”

Afinal, Marcelo, o pai das crianças, cresceu acreditando em Papai Noel e a cada Natal ele e os irmãos ficavam esperando os presentes aparecerem embaixo da árvore.

“Tinha todo aquele ritual de dormir para depois encontrar os pacotes”.

Fidelidade

As visitantes mais assíduas da Casa de Papai Noel são Simone Berriel Joaquim Simonelli e sua filha caçula Flávia, de apenas 2 anos.

“Eu acreditei em Papai Noel até grande. Naquela época era comum acreditar pelo menos até os 9, 10 anos. Mas é uma magia muito grande, tudo é muito encantador.”

Na infância, Simone conta que sua mãe pedia para que os filhos colocassem os sapatos sob a árvore e tirava a turma de casa para colocar os presentes. “Era como se Papai Noel tivesse vindo naquele momento e isso até hoje é muito legal”, recorda-se. E confessa que também age da mesma forma com as filhas.A pequena Flávia conta o que quer de presente. “Boneca!”, diz com uma cara marota, brincando com as lâmpadas do gravador da repórter. Já a irmã mais velha, Maíra, 8 anos, quer Barbie, videogame e um CD do Felipe Dylon.

Mesmo com pouca idade, é Flávia quem pede à mãe para visitar o velhinho. Diz que fica com saudade e acha as botas dele lindas.

Construindo um sonho

“Papai Noel judiou da gente”, brincam Ilson Luiz Rissato e João Batista de Melo, respectivamente, professores do Senai, responsáveis pela construção da Casa do Papai Noel do Jornal da Cidade em Bauru. Eles, que lidam com tecnologia e normas técnicas a cada dia, tiveram a missão de criar um espaço de sonhos em questão de horas e executá-la em menos de uma semana.

“A gente estava num ritmo louco e parou para fazer da Casa do Papai Noel, que se tornou prioridade.”

Rissato conta que na infância morava no sítio e seus pais, segundo ele, foram claros ao dizer: “Papai Noel não existe! Papai Noel sou eu mesmo, aquele velho é fictício.”

Hoje, o professor ensinou aos filhos que o Papai Noel é uma lenda da época do Natal, mas não deixa de lado o hábito de presentear.

Mesmo sendo “criado na mesma escola” do colega de trabalho, o professor Melo não deixa de citar que a fantasia permanece.

“A fantasia do Papai Noel vai continuar. A gente trabalha para ele. Tudo o que a gente faz sempre diz que é para ter um Papai Noel melhor. A gente foi criado às claras, mas sempre diziam que se a gente não fizer, Papai Noel não vem trazer. Então, vamos lá fazer de tudo uma festa.”

Mesmo com os pés no chão, os professores admitem que o fato de poderem perpetuar uma fantasia, trazer alegria e doação para tanta gente, os faz até acreditar que Papai Noel existe.

A Casa do Papai Noel integra a campanha Natal Tamanho Família - Tudo Pra Todo Mundo, do JC. O patrocínio é da TIM Celular, Flag Petróleo, Aiello Urbanismo, Sukest e Transurb, com apoio da 96FM, Senai e Secretaria Municipal de Cultura.

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