Um sorveteiro de 88 anos foi encontrado morto em sua casa, nos Altos da Cidade, ontem pela manhã. Jose Gonzales estava amarrado e amordaçado, com um ferimento na cabeça e vários pelo corpo. As investigações estão sendo conduzidas pela Delegacia de Investigações Gerais (DIG), que trabalha com as hipóteses de latrocínio (roubo seguido de morte) e homicídio.
De acordo com o delegado-adjunto do 3.º Distrito Policial (DP), Ismael Cavallieri, o corpo de Gonzales, que é nascido na Argentina, foi encontrado por uma amiga dele, por volta das 10h. Ele morava sozinho, na quadra 5 da rua Joaquim da Silva Martha.
A mulher teria encontrado a porta da casa do sorveteiro aberta e a sala revirada. Ela teria chamado uma vizinha da vítima antes de entrar na residência. As duas encontraram o corpo no quarto, ao lado da cama. Havia muito sangue nos lençóis e travesseiro. “O corpo estava com as mãos e os pés amarrados, as mãos para trás. Ele também estava amordaçado. Havia um ferimento contundente na cabeça, na parte de trás, com bastante sangue”, relata o delegado. A polícia suspeita que o agressor usou um pedaço de madeira ou outro objeto contundente.
Como a vítima já apresentava rigidez cadavérica, a polícia acredita que ela morreu no início da noite de anteontem. A sala, o quarto e a cozinha da residência estavam remexidos, com gavetas abertas e objetos espalhados pelo chão. “Quem entrou na casa provavelmente estava procurando objetos de valor. Mas aparentemente, objetos como televisão, aparelho de som, não foram levados”, afirma Cavallieri.
A polícia também não encontrou sinais de arrombamento na casa, o que pode indicar que a vítima conhecia ou permitiu a entrada do agressor ou agressores. “Se a pessoa era conhecida e queria roubar, matou para não deixar testemunha”, diz o delegado.
A vítima era argentino, viúvo e morava sozinho. Uma vizinha que preferiu não se identificar relata que ele vivia há muitos anos no Brasil e praticamente não tinha sotaque de seu idioma natal. “Muita gente freqüentava a casa dele. Muitas pessoas entravam na casa, muitas mulheres”, diz.
Ela recorda que o vídeocassete da vítima foi roubado há cerca de 20 dias, quando Gonzales havia dormido e deixado a porta aberta. De acordo com o delegado J.J. Cardia, titular da DIG, as investigações ainda estão sendo realizadas.
As principais hipóteses para o caso são latrocínio (roubo seguido de morte) ou homicídio. Até o final da tarde de ontem, o corpo de Gonzales permanecia no Instituto Médico Legal (IML) aguardando a procura de algum familiar ou amigo. Pelas estatísticas da Polícia Civil, Gonzales é a 39.ª pessoa assassinada neste ano em Bauru.