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Ceia ganha fruta tropical e bacalhau

Luly Zonta
| Tempo de leitura: 3 min

Uva, abacaxi, melancia, pêssego, ameixa, manga... Essa salada de frutas frescas tropicais tem roubado a cena das castanhas nas mesas natalinas brasileiras.

Apesar da estabilidade do dólar, o preço das nozes, castanhas-do-pará, damascos e outras frutas secas típicas da estação de Noel parece não ter tomado conhecimento da variação da moeda americana.

O assistente de hortifrutis de uma rede de supermercados de Bauru, Eguinaldo César da Silva, revela que os preços das frutas secas se mantiveram no patamar praticado no ano passado, mas a procura por elas aumentou nos últimos dias.

Os três itens que lideram as vendas, segundo ele, são nozes (R$ 18,00, o quilo), passas (R$ 9,80, o quilo sem semente) e ameixas (R$ 10,00 o quilo com caroço e R$ 13,00, sem caroço). Mas no mesmo supermercado, o setor de frutas é um dos mais concorridos e as da época são as mais disputadas.

A concorrência também aumenta nas ruas da cidade, onde cresce o número de caminhões que disponibilizam frutos da estação.

Numa rua de grande fluxo de veículos nos Altos da Cidade, o vendedor Diogo Nunes, 18 anos, fatura entre R$ 100,00 e R$ 150,00 por dia vendendo uva, ameixa e pêssego a R$ 5,00 a caixa. O mesmo valor é cobrado por quatro abacaxis.

“O ponto privilegiado e a experiência da minha família que trabalha com frutas há 40 anos ajudam nas vendas. Mas como este ano o preço ficou igual ao do ano passado, as pessoas estão comprando mais”, diz o rapaz que há três anos auxilia o pai nas vendas.

Habituada a comprar frutas para a ceia, a dona de casa Lucinda Guedes levou mais caixas este ano afirmando que o preço estava bom.

A campeã de vendas nas ruas é a uva. Mas morangos já se esgotaram. Quem comprou até o início da semana, conseguiu os últimos exemplares da safra 2003, conta a vendedora Amanda Cristina Leandro, que trabalha em um caminhão na Vila Universitária e ontem tinha as três últimas caixinhas.

Ela aponta que as vendas deste ano estão muito boas. “A pessoa passa olha, pára e compra. Se gosta da fruta, acaba voltando.”

Rima rica

Tradicionalmente consumido na Semana Santa, o bacalhau agora rima com Natal. Afinal, com a queda do dólar, o peixe está até 20% mais barato no varejo. Dessa maneira o valor do quilo deixou de ser tão salgado como o peixe.

Carlos Prando, sócio de uma loja de importados, revela que hoje é possível encontrar bacalhau do Porto a partir de R$ 36,00, o quilo, que no ano passado chegou a custar R$ 70,00.

“Precisei renovar o pedido, vendi três vezes mais que o ano passado e a procura deve aumentar até o ano novo, pois além de ser um prato mais leve para o verão, o peixe nada para frente e as aves ciscam para trás e a tradição pede seguir em frente”, lembra o comerciante.

Prando também comenta que seus clientes aproveitaram a queda do preço para retomar a compra de amêndoas, figo turco e castanha portuguesa, artigos sazonais, que no ano passado tiveram queda.

Se as frutas e o bacalhau estão em alta, a carne de carneiro registrou uma queda de 50% nas vendas apesar do preço razoável.

“A dificuldade no preparo é o que afasta o consumidor, fazer carneiro é muito trabalhoso”, justifica Cláudio Altair de Souza, encarregado do açougue de uma rede de supermercados. “Em contrapartida, o pernil de porco, que manteve o preço do ano passado tem tido uma ótima saída.”

Mas segundo Souza, mesmo em tempos de peru, chester e tender, quem lidera as vendas no açougue é mesmo a carne bovina.

A picanha, a alcatra e o contra-filé do churrasco são as peças mais procuradas pelos consumidores. Além do hábito brasileiro do churrasco, o preço é convidativo. Um quilo de peru sai em média por R$ 7,50 dependendo da marca, o mesmo valor de um quilo de picanha.

Mesmo assim, o açougueiro acredita que hoje as carnes natalinas tenham as vendas dobradas.

O cozinheiro libanês Ezzat Nassan, o Izeta que este ano está cozinhando para nove famílias, define o Natal 2003 como bem brasileiro: com fartura, sabor e baixo custo.

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