Geral

Artesanato cresce no gosto popular

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 3 min

“Ih, isso é coisa de hippie!”. “Ah, que roupa brega!”. Em um passado não muito distante, tais exclamações eram associadas a quem gostava ou usava o artesanato como peça de vestuário ou simples ornamento doméstico. Mas nos dias atuais, a atividade, além de ganhar cada vez mais adeptos, deixou o rótulo “kitsch” e estereotipado de lado para conquistar a preferência popular entre diversas camadas sociais.

O crescimento do número de artesãos é um dos maiores reflexos desta mudança de perfil do segmento, que pode ser comprovada facilmente na Ubá, feira dominical do ramo realizada mensalmente no Parque Vitória Régia, em Bauru.

Amando Gosalbes Roman, espanhol de nascença mas bauruense de “coração”, é um dos “veteranos” da Ubá, onde expõe seus produtos desde as primeiras edições da feira. Especialista em tapeçaria, ele é enfático ao exemplificar o aumento de artesãos. “No começo dela, em novembro de 2001, tinha apenas três barracas. Hoje, já são dezenas”, compara.

Para Amando, antigamente o artesanato era tratado como uma atividade sem valor. “Hoje isso mudou graças a evolução cultural dos artesãos”, considera. “Atualmente, há pessoas até com nível superior de escolaridade atuando na área, que diariamente ganha contornos mais profissionais”, acrescenta.

Igual linha de raciocínio é seguida pelo artesão João de Oliveira Leme, outro especialista em tapetes. Para ele, o artesanato deixou de ser um hobby para tornar-se uma alternativa informal ao desemprego. “O setor não tinha esse caráter econômico que tem hoje. Atualmente, muitas pessoas dependem dele para seu sustento”, frisa.

Segundo Leme, uma das conseqüências da profissionalização da atividade é a melhoria da qualidade dos produtos. “Prova disso é que o artesanato brasileiro já é valorizado no Exterior, para onde até é exportado”, ressalta.

Quem também influenciou na valorização da atividade foi a moda e suas tendências, que transformaram seu caráter econômico e, especialmente, o comportamento dos consumidores, que passaram a adotar os artigos artesanais com mais freqüência. “A necessidade aliada ao gosto do público moldam as características dos artigos e ditam os rumos a seguir pelos artesãos na fabricação de seus produtos”, destaca Leme.

Já para a artesã Florise Barraviera Carrenho, que expõe na Ubá há dois anos, o artesanato está voltando a estimular o “romantismo” na fabricação dos produtos no coração das pessoas. “Muitas coisas são feitas em máquinas, de forma seriada e fria. Já os artesãos fazem tudo à mão, de forma carinhosa e colocando a alma em um artigo. Fazemos com sentimentos”, destaca.

Outra vantagem da atividade, que auxiliou no seu crescimento, segundo Florise, é o fato dela disponibilizar peças diferenciadas. “São produtos únicos, que fazem com que as pessoas os procurem também por esta razão. É outra influência da moda”, enfatiza ela, que afirma conseguir na profissão recursos suficientes para complementar o orçamento doméstico familiar.

"Quem não gosta?"

“Qual mulher não gosta de artesanato?”. Esta foi a resposta/indagação a uma pergunta que Amarilda Rocha Pisanelli, que na manhã do último domingo visitou a Ubá juntamente com seu marido Valdomiro Pisanelli, utilizou para definir a importância da atividade às pessoas, especialmente para o público feminino.

Assim como seu esposo, Amarilda é fã dos ornamentos domésticos. “É o que mais gosto”, frisa. Já Valdomiro, além de elogiar os preços, confessa-se admirado com o crescimento da atividade. “Não é só aqui em Bauru. Por onde a gente anda verificamos que o artesanato não pára de conquistar praticantes a tal ponto que já concorre de igual para igual com os produtos industrializados”, diz.

Outra que também não perde a chance de conferir os artigos comercializados durante a Ubá é Maria do Carmo, que considera a atividade uma excelente maneira alternativa de complementar a renda doméstica. “Por isso, acho que 2004 será o ano do artesanato”, finaliza.

Comentários

Comentários