Araraquara - As obras de recuperação da rodovia Comandante João Ribeiro de Barros (SP-255), que liga São Manuel a Araraquara, estão paradas há mais de dois meses. Veículos que trafegam habitualmente pelo local são obrigados a conviver com velhos problemas, como a falta de acostamento, de terceira faixa e de sinalização. Além disso, o asfalto está esburacado, o trânsito de veículos pesados é intenso e o desrespeito aos limites máximos de velocidade é freqüente.
Não bastassem estes problemas, desde outubro, data oficial de paralisação das obras, os viajantes são obrigados a conviver ainda com entulho depositado em terrenos baldios ao lado da estrada, placas de sinalização abandonadas e lama que a chuva leva das obras inacabadas para o meio da pista.
De acordo com informações da assessoria de imprensa do governo do Estado de São Paulo, as obras na SP-255 deverão ser retomadas apenas no final de fevereiro, período em que acabam as chuvas.
Isso fará com que o cronograma inicial, que previa entrega de recuperação da Comandante João Ribeiro de Barros, do trecho que vai de Boa Esperança do Sul a São Manuel, em janeiro de 2004, atrase para julho.
Uma outra afirmação da assessoria é de que as obras foram paralisadas para que outras, que estão sendo realizadas nas rodovias do Litoral paulista, terminem ainda neste ano, já que a temporada de verão está apenas começando e os paulistanos têm por hábito viajar para as praias.
Um outro fato que paralisou a obra foi a falta de recursos do governo estadual para dar continuidade ao “Programa de Recuperação de Rodovias”, realizado desde 1999, em parceria com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).
A assessoria explica que a queda da arrecadação do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) fez com que o dinheiro do Estado para investimento em alguns projetos ficasse reduzido. Quando aprovada, a parceria com o BID previa uma contrapartida de 50% por parte do governo.
Para tentar sanar esse problema, houveram novas negociações com o banco, que resultou na readequação do cronograma financeiro. Após as negociações decidiu-se, então, que o BID passará a financiar 60% do projeto, com 40% de contrapartida do governo.
Mesmo com esses problemas, o governo não entende que houve atraso no cronograma das obras. Inclusive, relatórios enviados periodicamente à assessoria de imprensa dão conta de que o cronograma de obras foi paralisado em uma fase adiantada.
O trecho que corresponde à ligação entre Boa Esperança do Sul e Jaú já está com 50% das obras concluídas, e o outro trecho, que vai de Jaú a São Manuel, registra 40% de reparos feitos.
Para a assessoria, há que se considerar ainda que o mesmo programa, em outros Estados, levará cerca de quatro anos para ser concluído, enquanto em São Paulo as previsões são de que se gaste um ano e meio, mesmo com todos os atrasos registrados.
A recuperação da SP-255 faz parte do primeiro pacote de recuperação de rodovias acordado com o BID. Um outro trecho da mesma estrada, que vai de Araraquara a Boa Esperança do Sul, deverá ser recuperado na segunda fase do programa.
Com o atraso desta primeira fase, o início da segunda também deverá ser prejudicado e deve ocorrer apenas no segundo semestre de 2004, ao contrário do que foi previsto inicialmente.
O primeiro cronograma calculava que a licitação da segunda fase ocorreria no final deste ano, para que as obras tivessem início em janeiro de 2004. Mas a assessoria de imprensa do governo paulista garante que ainda no primeiro semestre, quando as obras da primeira fase estiverem sendo realizadas, os trechos mais caóticos de rodovias em todo o Estado, previstos para serem recuperados na segunda fase, deverão ser indicados.
Assim como na primeira, a segunda parte do projeto contará com a recuperação de mais 700 quilômetros, divididos em 20 lotes. Os valores ainda não foram calculados, mas deverão ficar em torno de R$ 200 mil.
Com pista simples, a SP-255 sempre causou transtornos para a região, seja em virtude do número de acidentes registrados ou da falta de estrutura de tráfego. A recuperação da rodovia é promessa de campanha, feita no ano passado, do governador Geraldo Alckmin (PSDB).