Política

Emoção marca enterro de Moussa

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 3 min

O empresário e ex-vice-prefeito de Bauru Moussa Tobias, 63 anos, foi enterrado ontem, às 10h, no Cemitério da Saudade sob forte clima de emoção. Familiares, amigos e populares compareceram à Câmara Municipal para dar o último adeus a Moussa. Ele morreu no início da manhã de anteontem no Hospital Sírio Libanês, em São Paulo, vítima de câncer de pulmão.

A dimensão da popularidade e do carinho pelo ex-vice-prefeito pôde ser medida pelo número de coroas de flores enviadas ao Poder Legislativo, que tomaram os espaços de todos os corredores do prédio. Foi preciso um caminhão baú para acomodar as centenas de coroas.

O velório de Moussa não poderia ter sido diferente. Reuniu políticos, lideranças e dirigentes partidários de todas as tendências. Marcaram presença o ex-prefeito e ex-deputado Alcides Franciscato, os ex-prefeitos Osvaldo Sbeghen (PSDB) e Tidei de Lima (PMDB), o ex-deputado Abrahim Dabus, o prefeito Nilson Costa (PTB), secretários municipais, vereadores e ex-vereadores.

Vários prefeitos de cidades da região também foram prestar sua última homenagem ao empresário. Muitos deles foram aconselhados por Moussa, bastante conhecido pelo feeling certeiro nas questões de âmbito político.

Conforme estava previsto, o corpo do empresário deixou o plenário do Legislativo às 10h e seguiu para o Cemitério da Saudade, onde foi enterrado no jazigo da família.

Líder regional

O prefeito de Avaí, Reinaldo Rocha (PSDB), diz não ter dúvidas sobre a liderança e a influência que o empresário Moussa Tobias exercia na política regional. Rocha - que foi superintendente da Associação Hospitalar de Bauru (AHB), da qual Moussa foi conselheiro - lamenta a perda do amigo.

“Ele significou para Bauru e região a sintonia de uma política feita com ética e transparência. O Moussa não tinha inimigos. Todos afluiam a ele nas dificuldades, independente de cor partidária. Com sua sabedoria, orientava a todos, sempre preservando a causa do bem comum”, lembra.

Para Rocha, dificilmente surgirá no meio político uma pessoa que reúna o perfil do ex-vice-prefeito de Bauru. “Realmente é uma perda que, com certeza, não terá substituto a altura para fazer política da forma como ele fazia.”

Na condição de membro da colônia libanesa, Hecmet Farha reforça as declarações do prefeito de Avaí. “No comando do Bauru Tênis Clube, o BTC, Moussa mostrou todo o seu dinamismo, dando exemplo de dignidade. É um pecado esse homem ter morrido agora. Ele poderia ter nos dado mais 20 anos de vida para continuar a nos ensinar um pouco mais sobre a vida”, lamenta.

Já para o presidente da executiva municipal do PL, Fernando Monti, Moussa tinha duas características fundamentais. “Ele tinha uma grande clarividência política e uma grande generosidade. Sempre esteve presente no contexto dos acontecimentos políticos de Bauru pelo menos nos últimos 20 anos. A cidade vai sentir falta dele”, prevê.

Nascido no Líbano, na aldeia de Bekarzala, Moussa desembarcou em Bauru no dia 13 de fevereiro de 1959, com 19 anos de idade, para se associar aos irmãos em uma loja do segmento de armarinhos. Com seu talento para os negócios, o empresário construiu no Distrito Industrial a Sukest, fábrica de sucos e gomas de mascar que atualmente fornece seus produtos para os mercados interno e externo.

Embora libanês, sempre se considerou brasileiro nato. Em 13 de fevereiro de 1966, casou-se com Wanda Pontin. Desta união nasceram os filhos Venícius, Valéria e Vera. Moussa também tinha cinco netos: Octávio, Isabelle, Giovanna, Marcus Vinícius e Guilherme.

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