O número de estupros registrados pela Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Bauru neste ano ficou 14% abaixo do que no ano passado. Já com relação a 2001, a quantidade foi idêntica. Foram contabilizados 30 crimes deste gênero em 2003, contra 35 em 2002 e 30 em 2001.
Para a delegada-assistente Marilda Aparecida Pansonato Pinheiro, esse índice foi mantido graças ao esclarecimento de todos os atos de autoria desconhecida. “Nós identificamos e prendemos os autores de 13 estupros. Se eles estivessem soltos, esse número poderia ser maior”, salienta.
Os crimes são divididos em duas categorias: autoria conhecida e desconhecida. A primeira diz respeito aos atos praticados por uma pessoa próxima à vítima, como o pai, o padrasto ou um vizinho. A segunda, é quando a pessoa é abordada por um indivíduo qualquer.
Os 13 crimes dessa categoria foram praticados por apenas três estupradores, o que significa que eles agiam em série. “Um deles atacou, pelo menos, quatro meninas na região da Vila Dutra”, destaca a delegada.
Ela conta que para chegar até o criminoso, a polícia precisa analisar minuciosamente cada detalhe. “Geralmente, o modus operandi é o mesmo em todos os estupros e, a partir daí, traçamos o perfil do acusado”, salienta.
Foi o que aconteceu com o acusado de praticar quatro estupros e uma tentativa na região da Vila Dutra. Ele geralmente arrastava as vítimas para o mato e usava o dedo como se fosse o cano de um revólver para ameaçá-las. “Ele apertava com tanta força que a gente ficava com medo”, disse uma das vítimas na ocasião.
Medidas profiláticas
Ao fazer o boletim de ocorrência na delegacia, dando queixa do estupro, a vítima é imediatamente encaminhada para o hospital, onde toma a pílula do dia seguinte (para prevenir uma gravidez indesejada) e recebe todas as medidas profiláticas a fim de se precaver de doenças sexualmente transmissíveis. Graças a isso, nenhum aborto legalizado precisou ser feito neste ano decorrente dos casos de violência sexual. “Nenhum caso de gravidez foi registrado”, afirma Marilda.
A delegada recomenda às mulheres que forem atacadas para que procurem manter a calma e registrar na mente o maior número de detalhes possível. “Eu sei que a situação é delicada e parece estranho pedir isso. Mas é que as impressões que ela conseguir guardar vão servir para as investigações”, salienta.
____________________
Dicas para se proteger contra esse crime
• Evite passar por locais ermos e afastados
• Procure andar acompanhada, principalmente à noite
• Faça sempre um trajeto diferente do tradicional
• Não aceite nem ofereça caronas a desconhecidos
• Ande por locais com maior número de estabelecimentos comerciais em funcionamento