Botucatu - Por seis votos contra cinco, a Câmara de Botucatu (100 quilômetros a Sudeste de Bauru) rejeitou anteontem o projeto de lei, de autoria do Executivo, que pedia suplementação de verba para despesas com obras sociais, como construção e reforma de escolas e creches.
Para o prefeito Mário Ielo (PT), a atitude dos vereadores tem razões políticas, cujo objetivo seria desgastá-lo junto à população. Já os vereadores alegam que ficaram com dúvida sobre um item do projeto e como não havia tempo para pedir vistas decidiram rejeitá-lo.
No meio das despesas com a construção, ampliação e reforma de escolas existia uma outra para manutenção do gabinete do secretário municipal de Saúde, no valor de R$ 36 mil.
Com a justificativa de que não sabiam ao certo para que serviria o dinheiro, a maioria dos vereadores presentes na sessão extraordinária resolveu vetar o projeto na íntegra.
“Não havia uma justificativa plausível para esse gasto. Por isso, vetamos”, declarou o vereador Domingos Chavari Neto (PTB), um dos que votaram contra a suplementação. Segundo ele, tanto o líder do prefeito, o vereador Luiz Carlos Rúbio (PT), como o líder de bancada, o vereador Antônio Carlos Trigo (PT), estavam presentes na sessão e não teriam se preocupado em dar explicações sobre o projeto.
De acordo com o prefeito, não havia muito o que explicar, mesmo porque, segundo ele, os vereadores de oposição não foram à tribuna para justificar porque estavam votando contra.
Da verba destinada à Secretaria Municipal de Saúde, no total de R$ 36 mil, parte seria utilizada, segundo Ielo, para dar seqüência a um programa de auxílio a crianças subnutridas. São cerca de 230 crianças atendidas. Elas têm entre 6 meses e 2 anos de idade e recebem todos os dias um litro de leite como complemento alimentar.
Sobre o fato de pedir a suplementação de verba somente na última semana do ano, Ielo disse que estava esperando para saber se teria reserva no orçamento, antes de enviar o projeto.
Além das escolas e creches, a suplementação beneficiaria ainda a corporação musical do município, o departamento de trânsito e a Orquestra Sinfônica.
“Eu tenho o dinheiro, mas não posso usá-lo porque a Câmara não deixa”, reclamou Ielo. Na opinião dele, a intenção dos vereadores de oposição é deixá-lo numa situação complicada com os moradores da cidade.
“Eles querem que a população vá reclamar do prefeito quando faltar alimentos nas creches”, acusou Ielo. “Estão votando com o pensamento na eleição de 2004 e não nas necessidades do município”, afirmou.
Ielo disse que iria sentar com os secretários municipais da Saúde e da Educação para achar uma maneira de minimizar a derrota na Câmara.
Na opinião do vereador Chavari Neto, a prefeitura terá dinheiro suficiente para tocar adiante os projetos sociais em 2004. Segundo ele, o orçamento do município será de R$ 91 milhões.
O vereador acusa o prefeito de estar usando de demagogia para jogar a população contra os vereadores. “Com esse dinheiro, vai dar para comprar bastante leite no ano que vem”, ironizou.
Para o prefeito, não é isso que o preocupa. Mas a demora em poder comprar os alimentos. Já que, com a virada do ano, serão necessárias novas licitações.