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Adolescente de 16 anos é mãe do primeiro bebê do ano em Bauru

Josefa Cunha
| Tempo de leitura: 2 min

A adolescente Elisângela Barbosa, de 16 anos, é a mãe do primeiro bauruense nascido em 2004. Cauã Henrique Barbosa Assem chegou aos 28 minutos de ontem de parto normal, pesando 2,4 quilos e medindo 47 centímetros.

O nascimento estava previsto para o dia 12, mas o menino não quis esperar. Elisângela terminou 2003 com dores, mas começou o novo ano com um sorriso no rosto e a doce sensação da maternidade. “Não sei explicar o que estou sentindo. Parece que estou nas nuvens”, descreveu ela na tarde de ontem, num quarto coletivo do Sistema Único de Saúde (SUS) da Maternidade Santa Isabel.

Apesar da pouca idade, Elisângela garante que a gravidez foi planejada. Morando há dois anos no distrito de Santelmo, em Pederneiras, com o pai da criança, o auxiliar de produção Marcelo Bordin Assem, 18 anos, a adolescente conta que tentou engravidar durante oito meses. O planejamento, porém, não evitou que ela abandonasse os estudos. “Terminei o primeiro colegial. Daí eu fiquei grávida e achei melhor parar”, justificou, sem planos a curto prazo de retornar à escola.

O caso de Elisângela engrossa as estatísticas do Ministério da Saúde sobre o crescimento de mães adolescentes no Brasil. Em Bauru, um estudo da Secretaria Municipal da Saúde aponta que 30,3% das gestantes que procuram atendimento nas unidades públicas têm até 20 anos.

O número tem se mantido estável nos últimos três anos, sugerindo que nem mesmo as campanhas sobre anticoncepção vêm produzindo efeito entre as garotas.

O Ministério da Saúde tem encarado a gravidez na adolescência como uma epidemia. Um levantamento mostra que 26% dos partos realizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em 2000 foram de adolescentes com até 19 anos.

Esse índice está aumentando ao longo dos anos, segundo o ministério. Em 1976, ele era de 11,7%. O problema maior é que do total de 1,1 milhão de meninas entre 15 e 19 anos que dão à luz todos os anos no Brasil, 25% já têm filho e alegam que engravidaram “sem querer”. Em Bauru ainda não há estudo sobre a segunda gravidez na adolescência.

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