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Os males da bipolaridade


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Dados coletados no país pelo último censo demográfico sobre a natalidade humana certificam que ela aumentou bastante no decurso do decênio. E o fez notoriamente no âmago das classes mais carentes da população, principalmente no contexto do volumoso elenco de pais de pouca cultura escolar ou de nenhuma especificamente. Constatou a enorme operação censitária que os genitores incultos vêm tendo de três a quatro filhos a mais que os cultos. Daí, o crescimento das comunidades pobres maior que o das remediadas, ricas ou “poderosas”, como se refere a popularidade vocal. Quer isso dizer, então, sem rebuços, que não podem os pais e mães paupérrimos terem certeza absoluta de que o uso sistemático de “camisinha” se constitua suficiente para que suas relações sexuais não sejam reprodutivas e façam com que suas moradias não fiquem superlotadas de meninos e meninas logo após o casamento ou ajuntamento. Precisam ter, igualmente, a convicção de que seus poucos recursos culturais são, também, espaços para aumentar sua prole e sua pobreza porque se os conhecidos preservativos possuem valentia para limitar quando não se rompem, o nascimento de crianças, não têm, porém, possibilidade de dar aos homens crescimento profissional e educacional ideais, cabendo eles, então, pensar bem mais quanto ao tamanho que têm que dar aos seus contingentes familiares e, por outro lado, procurar aprender a ler e escrever para entender suficientemente as limitações da vida e, ao mesmo tempo, melhorar sua subsistência assumindo ocupações mais rendosas como as oferecidas a quem não seja inculto. Têm de entender que a existência terrestre não se resume unicamente em produzir descendentes ilimitadamente. Vai longe, bem distante, em suas gananciosas aspirações, conforme o ambicioso legado divino, gerado através das núvens, que criou homem e mulher com múltiplas destinações, empreendidas além da simples procriação, para o que precisam todos os seres aculturar-se diametralmente, à luz da razão, não apenas a benefício próprio mas de toda a sua semelhança, abstraindo-se de suas tendências antagônicas e bipolares, lembrando-se indesmentivelmente de que são todos feitos de corpo, idéias e afeto. É a nossa opinião. (O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado)

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