Bairros

Prefeitura reconhece dificuldades

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 3 min

“Viver de arte em Bauru - e até numa cidade grande - é difícil. Até mesmo para profissionais de tempo de carreira.” A afirmação é do titular da Secretaria Municipal de Cultura, Sérgio Losnak, que acredita que o poder público tem o papel de abrir espaço para que a produção marginal seja mostrada à população.

Ele ressalta que a situação dos artistas numa cidade depende, em grande parte, do mercado consumidor de arte. “Viver de arte é algo realmente ainda muito difícil, mesmo para aqueles que estão no mercado”, insiste.

O secretário cita experiências de pessoas que acumulam atividades por não conseguir ganhar dinheiro como artista. “Eles têm outra profissão e continuam na arte por paixão”, diz.

“Isso mostra, talvez, a falta do entendimento da evolução cultural de uma sociedade. Ela evolui a partir do momento em que respeita e dá oportunidade para esses artistas que estão à margem”, acrescenta Losnak.

O secretário acredita que os músicos são os artistas que mais conseguem ganhar dinheiro com a arte em Bauru. “Eles trabalham em bares e casas noturnas na cidade e na região”, arrisca.

Ele afirma, por exemplo, que apenas três grupos sobrevivem de teatro na cidade. Já artistas plásticos são poucos. “São pessoas que vêm desenvolvendo seu trabalho há muito tempo. Para os marginais, é muito mais difícil”, destaca.

Perspectiva

Para Losnak, a Lei de Estímulo à Cultura, aprovada em 2003, pode ser uma alternativa para artistas de Bauru. “Vai aprovar projetos que sejam interessantes na área de pesquisa. Não são os critérios do mercado que vão instituir os que serão aprovados”, garante.

A cada semestre, até 30 projetos poderão ser aprovados. Cada um pode receber até R$ 20 mil como incentivo.

“O mercado impõe certas regras para admitir determinados segmentos artísticos. Aí entra o papel do poder público de abrir espaços para que essa produção seja mostrada”, expõe Losnak.

Ele sugere, ainda, que os artistas organizem-se em entidades. E cita o desenvolvimento do movimento hip hop em Bauru, que montou a ONG (organização não-governamental) Quilombo do Interior.

“A organização melhora a situação dos artistas marginais. A Quilombo do Interior fez com que eles conquistassem mais espaço e fossem respeitados. Não é mais o mano, é a entidade dos manos”, diz.

Losnak diz que a Secretaria de Cultura tentou detectar em 2003 a produção marginal de Bauru, através de um censo cultural. “A idéia é identificar essa produção marginal. Quem são essas pessoas, o que elas fazem”, explica.

O resultado, entretanto, foi abaixo do esperado e não retrata, segundo o secretário, o cenário local. Ele acredita que muita gente não se manifestou.

“Nós identificamos muito pouco porque muitas vezes a pessoa faz o trabalho, mas não consegue classificá-lo. Ela acha que o trabalho não é artístico”, supõe.

Apesar disso, houve boa resposta do artesanato, que predominou no censo. “Dá retorno mais rápido. O mercado consumidor de artesanato é mais sólido. Para a música, já existe um padrão instituído pelas gravadoras”, avalia.

Para Losnak, é preciso educar para a arte. “Isso é trabalho de formação de base. O papel mais importante dessa formação se dá dentro da escola. Depois, é complicado de interferir. A escola pode trabalhar com a arte como uma ferramenta de ensino ou momento de prazer para criatividade do aluno”, expõe.

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