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Banheiros tornam-se espaços de luxo

Rose Araujo
| Tempo de leitura: 3 min

Banho de cheiro, banho energizante, banho luxuoso. Não é só na virada do ano que esse ritual de limpeza ganha força entre as pessoas. O desejo de transformar o banheiro da casa em um cômodo de convivência tem melhorado o movimento nas lojas de material de construção e valorizado as residências.

O professor do curso de decoração do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac) de Bauru, Márcio Bompean, explica que as pessoas têm investido mais na composição do seu banheiro. “É cada vez maior o número de clientes que pedem um projeto mais arrojado para esse cômodo da casa”, destaca.

Com isso, o banheiro está se transformando em um espaço de estar, ou seja, um local da casa onde o morador pode se refugiar e relaxar. “As pessoas querem ter conforto no banheiro”, indica Bompean.

Dessa forma, não é raro encontrar aparelhos de telefone, de som e televisor nessa área da casa. Enquanto descansa em sua banheira de hidromassagem, o morador pode assistir ao seu canal de TV preferido ou bater papo com os amigos ao telefone. “Isso tudo já é planejado na construção do imóvel”, salienta o decorador.

Ele ressalta que tem vários clientes em Bauru requisitando esse tipo de ambientação da casa. “A idéia é ter um espaço apropriado para um momento íntimo, de total relaxamento”, destaca.

As banheiras são as vedetes desses projetos. Os modelos com hidromassagem têm sido bastante procurados ultimamente.

De acordo com o vendedor de uma grande loja de material de construção da cidade, Adolfo Mola, a procura por esse acessório está aumentando consideravelmente. “As vendas desse tipo de produto estão em alta”, diz.

Ele não soube precisar isso em números, mas destaca que as banheiras são um sonho de consumo cada vez mais ao alcance das pessoas.

Para o vendedor de uma outra loja do ramo, Dagoberto Gardiolo, isso é uma questão de status. “Tem gente que instala banheira em casa e não usa. É apenas para valorizar o imóvel”, salienta.

Os preços desse luxo variam de R$ 400,00 a R$ 3.000,00, dependendo do modelo. “As mais baratas são as que não têm o motor de hidromassagem, ou seja, servem apenas para o banho de imersão”, explica Gardiolo.

Mas há quem aposte na criatividade. A fotógrafa Priscila Medeiros e o seu marido, o desenhista Ricardo Botta, por exemplo, optaram por uma maneira mais barata de ter uma banheira.

No próprio boxe, eles mandaram fazer uma parede de 60 centímetros de altura, revestida de azulejo. Em seguida, passaram um produto impermeabilizante e instalaram um ralo apropriado para banheira. “É uma solução bem simples: quando a gente quer tomar banho de banheira, fecha o ralo e enche de água o boxe”, conta Priscila.

Em dose dupla

O professor de decoração Márcio Bompean explica que alguns casais têm optado por dividir o banheiro em dois. “Eles pedem para instalar cubas individuais, dois chuveiros, dois espelhos, tudo para manter a individualidade de cada um”, destaca.

Para acomodar esses desejos dos moradores, esse cômodo tem aumentado de tamanho. Espaçosos, eles são tratados como a ala social da casa, com direito a cortina ou persiana, velas, iluminação planejada e até mesmo bancos e cadeiras.

Com tantos cuidados com o banheiro, aumenta também a venda de produtos para a higiene pessoal. De acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosmético (Abihpec), esse mercado cresceu 43,8% entre 2001 e 2002. Apenas o segmento de sais de banho aumentou 19 vezes nesse mesmo período.

Outro produto que caiu no gosto das pessoas é o ofurô, uma espécie de tina de madeira própria para banhos de imersão. Adolfo Mola, vendedor de uma loja de materiais de construção, destaca que esse tipo de aparelho tem sido muito procurado pelos consumidores. “Não tanto quando as banheiras, mas as vendas têm aumentado consideravelmente”, afirma.

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