Bairros

Chuvas mudam rotina da população

Diego Molina
| Tempo de leitura: 3 min

A previsão é de sol com tempo instável e pancadas de chuvas isoladas. Parece familiar? Na maior parte do Estado de São Paulo, esta é a situação normal do tempo para estes dias do ano. Em Bauru, o verão não é diferente, e as chuvas quase diárias apressam o corre-corre ou interrompem a programação e a rotina da população. Sair com guarda-chuva ou sombrinha na bolsa, no carro ou mesmo debaixo do braço é quase obrigatório.

O digitador Osmar Luiz Fontana foi surpreendido ontem pela chuva que caiu por volta de 13h, enquanto ele caminhava no Centro da cidade. “Esta é a chuva de molhar tonto, porque a gente pensa que vai passar rápido e, de repente, ela vem numa seqüência forte. Se eu estivesse sem guarda-chuva, teria ficado apurado”, diz.

Apesar de ter ficado molhado, ele não pensa que a chuva atrapalha a rotina da população. “Todo mundo já está acostumado com o clima, sabe que nesta época chove assim mesmo. E é bom, o ar fica mais fresco, a gente não respira aquela poeira”, ressalta.

O casal Conceição de Souza Bezerra Neto e José Cardoso Neto também estava armado contra a chuva, ontem, no Calçadão da Batista. José afirma que a chuva muda a rotina da população, mas não chega a atrapalhar. “Imagina se não chovesse nunca, como ia ser complicado. A gente se protege e faz o que precisa fazer”, diz.

“Eu tenho até mais vontade de sair de casa quando está chovendo. É ótimo porque o tempo fica mais fresco. Com um guarda-chuvinha, a gente vai longe”, brinca Conceição.

Para alguns, as chuvas de janeiro são até sinônimo de bons negócios. Soraya Mussa Yussef é proprietária de uma loja especializada em produtos de proteção contra o tempo chuvoso. Ela conta que as vendas de sombrinhas e capas de chuva aumentam consideravelmente nesta época do ano.

“O aumento das vendas é bem notório e satisfatório. As águas de janeiro são sempre esperadas. Na minha opinião, a chuva atrapalha um pouco a vida das pessoas, mas existem coisas que você não pode protelar e fazer depois. Por exemplo, ir ao banco. Então as pessoas são pegas pela chuva e acabam comprando um guarda-chuva para se proteger e continuar resolvendo seus problemas”, diz.

Soraya não esquece outras conseqüências das chuvas fortes do verão. “Elas também aumentam os buracos nas ruas, e eles, sim, atrapalham a gente”, observa.

Previsão

E a situação deve ser a mesma neste final de semana. A previsão do Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) da Universidade Estadual Paulista (Unesp) indica que o dia hoje deve permanecer nublado. Para amanhã são aguardadas pancadas de chuvas isoladas e no domingo, as condições do tempo devem melhorar um pouco.

Luiz Fernando Nachtigall, que é meteorologista do IPMet, afirma que, historicamente, janeiro é o mês em que mais chove no ano. “Na nossa região, é normal que ocorram chuvas todos os dias. E o que choveu até agora (ontem) está dentro do esperado para janeiro”, diz.

O IPMet registrou precipitação nos dias 1 e 2, com 3,5 milímetros e 4,4 milímetros, respectivamente. Anteontem e ontem, as chuvas foram mais fortes, com 29 milímetros e 11,4 milímetros em cada dia, totalizando 48,3 no mês, até ontem. Nachtigall reitera que o volume registrado não chega a ser extraordinário, já que as médias históricas de janeiro ficam em torno de 220 milímetros.

“No verão, as chuvas não são iguais em todos os lugares. Em um bairro pode chover uma certa quantidade e em outro, pode nem chover. São chuvas convectivas, em sua maioria (quando uma massa de ar passa sobre uma área quente, o ar se eleva até resfriar, se condensa e ocorre a precipitação)”, diz o meteorologista.

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