Jaú - A Polícia Civil de Jaú (47 quilômetros a Leste de Bauru) registrou somente nesta semana 15 casos de suposta clonagem de celular.
De acordo com o delegado Edson Maldonado, titular do 2.º Distrito Policial (DP) de Jaú, os usuários são moradores da cidade e teriam recebido contas no mês de dezembro que variam de R$ 1,2 mil a R$ 5,5 mil. Segundo informaram as vítimas à polícia, normalmente os valores mensais seriam de R$ 70,00 a R$ 120,00.
Maldonado afirma que, em geral, as ligações partiram de Cotia, Jandira, Osasco e demais cidades da Grande São Paulo e teriam como destino outros Estados e países. O delegado desconfia que uma quadrilha especializada esteja envolvida nos casos.
Segundo ele, os 15 registros são referentes a aparelhos pós-pago da operadora Vivo. As denúncias estão sendo investigadas pela Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Jaú.
A maioria das vítimas teria procurado a polícia depois que recebeu a conta telefônica de dezembro. Antes disso, segundo o delegado, algumas já teriam desconfiado do problema, quando familiares ligaram para o número do celular e, em determinadas ocasiões, uma pessoa desconhecida atendeu a chamada.
Uma das vítimas, o supervisor de vendas Edmilson Cafeu, 43 anos, procurou a polícia ontem, revoltado com o valor de R$ 1.766,00 de sua conta. “Eu normalmente gasto R$ 120,00 por mês”, afirma. “No meu extrato aparecem cidades para onde eu não fiz ligações.”
Maldonado afirma que a polícia está orientando os usuários a não efetuar o pagamento das contas e entrar em contato com a operadora para regularizar a situação.
A assessoria de imprensa da Vivo informou que não poderia se manifestar sobre o assunto porque não teria conhecimento dos registros. Entretanto, afirmou que, quando confirmada as situações de clonagem, a operadora assume o prejuízo e adota outras providências, que não foram divulgadas à reportagem.
Casos
De acordo com Maldonado, essa é a primeira vez que o município registra, em poucos dias, uma quantidade de ocorrências dessa natureza. O delegado afirma, por exemplo, que no ano passado a polícia de Jaú recebeu apenas três denúncias de clonagem, envolvendo telefones rurais, na região de Bocaina.
Para o delegado da DIG, Roberval Fabro, o número de registros é preocupante. “Isso indica que existe um esquema já montado. Possivelmente vão ocorrer novos casos. Pelas circunstâncias, é possível concluir que se trata da mesma quadrilha”, avalia.
Clonagem
Cada celular possui um hexa, ou seja, um código eletrônico que identifica o aparelho. O hexa pode ser clonado por meio de ondas eletromagnéticas ou informações registradas no próprio celular.
Para clonar um telefone móvel, quadrilhas utilizam um computador portátil, com um programa específico, acoplado a um equipamento que capta ondas eletromagnéticas.
“Geralmente, esses criminosos se posicionam em locais de grande aglomeração de pessoas, com um notebook e um programa específico. Assim que o usuário faz a ligação, esse aparelho capta o número da linha e o código do celular. Em seguida, eles transferem esses dados para outro aparelho”, explica Fabro.
De acordo com matéria publicada recentemente pelo JC, outra forma de clonar um telefone móvel é por meio do próprio aparelho, que possui informações alfanuméricas e um código de barra sob a bateria.
Em geral, recomenda-se que os usuários não emprestem os aparelhos a desconhecidos e evitem usá-los em pontos de grande concentração de pessoas. Também é recomendado que a manutenção do aparelho seja feita por empresas credenciadas e que o usuário exija a nota fiscal no momento da compra.