Ser

Minha história: Uma história muito triste


| Tempo de leitura: 2 min

A última vez em que vi o Fernando foi no portão da sua casa há alguns meses. Quando terminamos o colégio, cada um de nós seguiu caminhos diferentes.

O Fer não era feio, não era gordo, não tinha nascido com nenhuma doença trágica ou deformidade e era uma pessoa muito alegre e feliz. Tudo para ele era motivo de alegria.

Lembro-me de quando ele começou a estudar no “Stela Machado”. No primeiro dia de aula, ele ali todo sem jeito caladão e os garotos da nossa sala todos com ciúmes dele pois o Fer despertou olhares em quase todas as garotas. Algumas semanas depois, ele já havia se enturmado com quase todos da classe. Ou em alguns meses... O Fer era sempre igual diante de qualquer erro. Era muito difícil vê-lo nervoso e ele alegrava a todos com o jeito meigo e carinhoso de ser.

Quando o Fer tinha algum problema para resolver, era como se fosse uma equação de matemática, como a que a professora Gilmara insistia que eu entendesse. E matemática, o Fer tirava de letra.

Não me lembro dele triste, nem chorando. Lembro do seu sorriso, da sua alegria, do seu jeito elétrico indo e vindo. O que será que fazia o Fer ser assim tão elétrico?

Será que ele tinha um canto no mundo onde ele depositara toda a sua angústia e não a deixara transparecer e ali esperava o tempo passar.

Como já disse, não via o Fer há alguns meses, e um dia desses, um domingo do mês de novembro, um domingo comum em que eu saí para comer um lanche, minha amiga parou do meu lado e perguntou:

- Shir, você conhece o Fernando bonitão do Nova Esperança?

Senti um frio tremendo na barriga. O meu coração disparou. Não sei por que, mas eu percebi que algo bom ela não iria me contar.

- Ele faleceu em um acidente de carro hoje de manhã!

A vida é muito diferente para cada um de nós. Às vezes, acho que a felicidade não é algo que conquistamos, que atingimos. E, ao contrário do ponto de partida, é um dom que alguns recebem e outros não.

Não sei o que fez o Fer durante o bom tempo em que não nos víamos. Imagino que deveria ter conhecido novos amigos e teria transmitido a paz, a alegria, que somente ele tinha. E acredito que o Fer estaria sempre com o mesmo sorriso no rosto e aquela alegria.

Eu sei que esta história é muito triste e eu já avisei no título, mas histórias assim acontecem, fazem parte da vida e tudo que faz parte da vida precisa ser escrito embora eu ainda não saiba por quê.

Fer!

Hoje, o seu sorriso maroto não é mais nosso, mas espero que você possa estar alegrando todos aí no céu. Deus te abençoe.

Beijos.

Sua amiga Shirley

Saudades mil.

Comentários

Comentários