De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), pelo menos 10% a 30% da população terrestre sofre com as famigeradas crises alérgicas. Elas podem ser desencadeadas por uma infinidade de agentes, chamados alérgenos. Apesar dos vários tratamentos disponíveis, não existe cura. O que os especialistas recomendam é fugir dos tais agentes. E a prevenção começa dentro de casa.
É o que ensina o guia “Aprenda a evitar a alergia no seu dia-a-dia”, lançado no final do ano passado sob patrocínio da Libbs Farmacêutica. O manual foi escrito pelo médico Dirceu Solé, alergologista e imunologista pediátrico, professor titular do Departamento de Pediatria da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
O especialista, que também é diretor de cursos da Sociedade Brasileira de Pediatria e diretor de publicações da Sociedade Brasileira de Alergia e Imunopatologia, ensina como fazer um controle ambiental mais adequado ao bem-estar do alérgico. Manter ambientes puros e limpos é uma das principais recomendações no tratamento de todos os tipos de alergia.
Um dos destaques do guia é o projeto da “casa ideal”. As dicas são válidas, principalmente, para quem vai construir, reformar, comprar ou alugar um novo imóvel. Segundo o médico, a disposição dos cômodos, o material usado no acabamento e a decoração podem fazer muita diferença na qualidade de vida do alérgico.
Uma das características mais importantes do imóvel, de acordo com Solé, é que garagens e oficinas sejam separadas da casa para evitar que os gases e a poeira destes ambientes contaminem outros cômodos.
Cerâmicas a azulejos também devem ser evitados no acabamento das paredes, pois as junções entre as peças facilitam o acúmulo de poeira e fungos. No chão, deve-se optar por materiais laváveis em detrimentos dos carpetes.
“Pisos e paredes de cimento aparente em porões e sótãos devem ser tratados com tintas impermeabilizantes para evitar crescimento de fungos e sua transformação em poeira”, acrescenta o guia.
Se houver sistemas de ar condicionado ou aquecedores, eles devem respeitar os critérios adequados de umidificação e filtro.
Além dessas orientações generalizadas para o imóvel, Solé recomenda que se tenha cuidado especialmente com o quarto do alérgico.
“As pessoas passam mais de um terço da vida no quarto de dormir e respiram seu ar todo esse tempo. Se você puder purificar o ambiente em que vive um terço de sua vida, tornando-o quase isento de alérgenos e irritantes, seu sistema respiratório - pulmões, nariz, garganta e vias aéreas - terá descanso e estará mais resistente ao próximo ‘bombardeio’ de alérgeno e outros agentes”, observa.
O primeiro passo, segundo Solé, é excluir do ambiente tudo o que possa acumular poeira. “Remova poltronas estofadas e de couro, tapetes e cortinas. Use assoalho e madeira ou de vinil. A mobília deve ser de madeira, plástico ou metal. Mantenha a cama longe das saídas de ar e sem nada embaixo. Tudo no quarto deve ser lavável. Nunca permita a entrada de animais de estimação no quarto de dormir”, enumera.
Deve-se evitar o sistema de closet dentro do quarto. Guarda-roupas e cômodas devem estar sempre limpos. As roupas devem ser guardadas em capas com zíper. Cobertores, roupas de lã e equipamentos de uso esporádico devem ser guardados em outro cômodo. Prateleiras, móbiles, livros, quadros e outros enfeites também devem ser evitados, pois retêm muita poeira.
O médico observa que o quarto do alérgico deve ser livre de todo tipo de aglomeração. Quanto mais simples a decoração, mais ventilado e puro é o ambiente.
“Use somente travesseiros sintéticos, preferencialmente os de espuma, e lave-os todo mês. Se usar capa de material impermeável com zíper, a lavagem pode ser dispensada. Mesmo assim, a sua superfície deve ser aspirada duas vezes por semana”, comenta. O mesmo vale para os colchões, acolchoados e protetores de berço.
Se houver brinquedos no quarto, eles devem ser guardados em caixas. O ideal é que sejam laváveis. Se houver aquecedores ou aparelhos de ar condicionado, é importante o uso de filtros e a limpeza semanal dos equipamentos.
Na hora da limpeza, deve-se evitar vassouras, espanadores e sprays. “Usar água para a limpeza. Lavar paredes e teto. Passar pano úmido no chão e nos móveis. Limpar janelas por dentro. Usar aspirador de pó nos itens não-laváveis. Manter a porta fechada”, indica o guia.
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Causas e manifestações
A alergia nada mais é que uma reação exagerada e incomum do sistema imunológico a substâncias que não deveriam afetar o indivíduo. Não se sabe exatamente porque isso ocorre, mas o organismo interpreta a substância como um “inimigo” e produz anticorpos para combatê-la.
O processo é semelhante ao das infecções por vírus e bactérias. Toda vez que o alérgico entra em contato com aquele agente, o sistema imunológico desencadeia as reações.
A crise alérgica pode manifestar-se de várias maneiras. A mais comum é a rinite, caracterizada pela irritação das vias aéreas. Os sintomas são espirros constantes, coriza abundante, coceira no nariz, entupimento nasal. Em alguns casos, pode haver inflamação simultânea dos olhos (conjuntivite).
Outro tipo de reação são as dermatites, quando a irritação manifesta-se na pele. Geralmente, formam-se bolinhas avermelhadas que coçam muito e podem inflamar se não forem tratadas adequadamente.
“Uma vez que você conhece seus sintomas, é importante saber quando, onde, como e o que causa alergia”, salienta o médico Dirceu Solé. O ideal é procurar um especialista, que vai fazer avaliações com base em relatos, testes e exames.
Algumas pessoas podem apresentar quadros alérgicos mais sérios, como sinusite, asma e bronquite. Boa parte dos casos poderia ter sido evitada com um tratamento precoce.