Regional

Moradores da região recebem ameaças

Michelle Roxo
| Tempo de leitura: 5 min

Bariri - Moradores da cidade de Bariri (56 quilômetros a Nordeste de Bauru) e empresários das cidades de Barra Bonita, Bauru e Araraquara receberam ameaças por telefone de supostos integrantes de facções criminosas.

Em Bariri, de acordo com a Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Jaú, os criminosos teriam se identificado como “membros da família PCC” (Primeiro Comando da Capital). Foram mais de 20 denúncias, registradas entre os dias 2 e 4 deste mês. No município de Barra Bonita, a queixa foi formalizada no último dia 8. Em nenhum dos casos as vítimas cederam às chantagens e as ameaças não chegaram a ser concretizadas.

Em Bauru, segundo o titular da DIG J.J. Cardia, dois empresários teriam sido alvos de tentativa de extorsão via telefone público por supostos membros do PCC, há cerca de dois meses. No município de Araraquara, duas empresas foram ameaçadas anteontem.

Conforme matéria publicada na última terça-feira pelo JC, em todo o Estado, centenas de empresários de diferentes ramos de atuação estariam sendo alvos, desde o ano passado, de tentativas de extorsão por meio de ligações telefônicas efetuadas de celulares do interior de presídios do Rio de Janeiro. No caso de Bariri, de acordo com o delegado da DIG de Jaú, Roberval Fabro, os contatos também teriam partido de um aparelho móvel do Estado vizinho.

Entretanto, a polícia ainda investiga a procedência exata do número telefônico e até ontem não sabia informar se as ameaças vieram de algum presídio. “Pelo linguajar, são pessoas que têm muita experiência na marginalidade”, avalia.

Fabro afirma que a forma de atuação em todos os registros seria a mesma. Por meio de ligações telefônicas a cobrar, é exigido das vítimas a compra de cartões com créditos para alimentar celulares pré-pagos ou depósito de determinada quantia em uma conta bancária, sob pena de represálias. O valor, afirma o delegado, gira em torno de R$ 700,00.

“Eles ameaçam a família, dizendo que vão matá-la e afirmam que as vítimas estariam isentas dessa represália se contribuíssem com o PCC”, descreve.

Segundo Fabro, durante as investigações, a polícia descobriu que a conta bancária fornecida para os depósitos seria do Rio de Janeiro, entretanto ainda não havia identificado até ontem o titular. A DIG já pediu a quebra de sigilo bancário e telefônico para apurar os fatos.

Ao contrário da maior parte dos casos registrados em São Paulo, onde as vítimas são necessariamente empresários, no município de Bariri as ameaças atingiram moradores diversos. “Eles ligaram tanto para empresários quanto para pessoas de pequeno poder aquisitivo fazendo o mesmo tipo de intimidação e pedindo a mesma importância em dinheiro”, diz.

Segundo Fabro, nenhuma das ameaças foi consumada. O delegado afirma que, desde o princípio, a polícia descartou a possibilidade de retaliações por parte dos criminosos. “Eles desconheciam qualquer detalhe da vida das vítimas que estavam sendo extorquidas”, conta. “Nós temos a convicção de que essas ameaças não vão se concretizar.”

A orientação da polícia para as pessoas que enfrentarem situações como essa é de que não atendam as exigências dos criminosos, mantenham a calma e procurem a unidade policial mais próxima para formalizar a queixa.

O crime de extorsão tem pena prevista de quatro a dez anos de prisão. Os nomes das vítimas estão sendo preservados pela polícia por questões de segurança.

Barra Bonita

Em Barra Bonita, de acordo com o delegado titular Claudemir Ferracini, a ameaça também partiu de um telefone do Rio de Janeiro. “Eu ainda não posso afirmar que os telefonemas estariam vindo de presídios, porque não concluímos os trabalhos de investigação”, afirma.

Os envolvidos identificaram-se como membros de organizações criminosas e exigiram de um empresário do setor de transportes da cidade 20 aparelhos celulares e cartões de telefone.

De acordo com o delegado, eles teriam feito vários contatos com a empresa. Em uma das ocasiões, ameaçaram a vítima, afirmando que, caso as reivindicações não fossem atendidas, o estabelecimento sofreria danos materiais, sendo incendiado.

A vítima não cumpriu as exigências e acionou a polícia no último dia 8. “Durante as negociações, eles (criminosos) tomaram conhecimento da intervenção policial e desistiram”, afirma.

Na opinião de Ferracini, ainda é cedo para a polícia afirmar que os telefonemas tenham partido de alguma facção criminosa. Entretanto, o delegado descarta a possibilidade dos registros serem apenas algum tipo de “trote”.

Sem ligação

Em Bauru, de acordo com o delegado J.J.Cardia, dois empresários teriam sido alvos de tentativas de extorsão, há cerca de dois meses.

A polícia foi acionada, mas as vítimas preferiram não formalizar a queixa, já que teriam recebido apenas um telefonema e as ameaças não voltaram a se repetir.

Mesmo assim, segundo o delegado, a polícia iniciou investigação e descobriu que as ligações estariam partindo de um telefone público do Rio de Janeiro. “Como não houve reincidência e a ligação foi feita de um orelhão, as investigações foram encerradas”, afirma.

O delegado acredita que os casos não têm ligação com o PCC. Para ele, marginais estariam se aproveitando da situação para intimidar as pessoas. “A população não precisa ficar alarmada, porque são marginais comuns que usam esse artifício. Entretanto, se fatos como esses ocorrerem, as pessoas devem entrar em contato imediatamente com a DIG, porque nós temos meios de rastrear as ligações”, orienta.

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Araraquara

No município de Araraquara, dois empresários do setor de transportes foram vítimas de tentativas de extorsão anteontem. Segundo o delegado titular da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) da cidade, Jesus Nazaré Romão, os criminosos teriam feito ligações de telefone celular, identificando-se como supostos membros do Primeiro Comando da Capital (PCC).

O delegado afirma que as vítimas receberam durante todo dia telefonemas, por meio dos quais os criminosos exigiam cerca de 50 cartões de crédito de celular. “Eles pediram para a vítima passar por telefone o número do código do cartão. Eles não têm contato nenhum com as vítimas”, afirma.

No caso de não cumprimento, segundo as ameaças, as empresas sofreriam retaliações materiais.

Os empresários não atenderam as exigências e acionaram a DIG logo após os primeiros contatos. Ontem, segundo a polícia, as vítimas não receberam novas ligações.

Romão afirma que a polícia ainda está investigando a origem dos telefones. Entretanto, o delegado descarta a possibilidade de “trotes” e desconfia que as ameaças tenham partido de presídios de São Paulo.

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