Já se tornou lugar-comum responsabilizar a televisão pelos desvios no campo da educação. Via de regra, no entanto, as teses de acusações oferecem pouca consistência científica. Até aí nada de estranhar. Afinal, um país que tem cem milhões de técnicos de futebol também pode ter um colégio de experts em televisão! A seguinte manchete de um de nossos jornais comprova o que afirmamos: “Setenta por cento da influência sobre o caráter da criança, nos dias de hoje, cabe a televisão.”
No IV Congresso Brasileiro de Psiquiatria Infantil realizado em Belo Horizonte, a TV apareceu como a grande vilã; “a televisão está se tornando o grande inimigo da psiquiatria infantil”. “A televisão é um espelho massacrante.” Creio que nenhum educador ou psicólogo subscreveria, no mais, tais invectivas. Que confiabilidade podem merecer tais estatísticas, tais afirmações? Que fé se pode dar aos levantamentos que creditam à televisão toda violência do mundo? O conhecido educador brasileiro, Lauro de Oliveira Lima, fez questão de escandalizar uma platéia ao declarar, “discutir televisão é discutir na ausência de assunto mais sério”.
A televisão e os meios de comunicação social em geral trazem uma revolução psicológica e cultural para o mundo. Se no cômputo final, isto vai ser benéfico ou negativo, ainda é uma questão aberta. Podemos esperar que venham a produzir um efeito cada vez mais favorável à integração sobre as crianças e toda a nossa sociedade. Cabe exclusivamente a nós transformar esse sonho em realidade.
João Álvares - da Associação Paulista de Imprensa - Reg. 2069