Não é exagero afirmar que o comerciante bauruense Ivaldo Simi Misquiati, mais conhecido por Palito, é um privilegiado. Afinal, não é sempre que se encontra uma “figura” que já tenha tido o prazer de percorrer milhares de quilômetros em uma das estradas mais famosas do mundo - a americana Route 66 - montado em uma motocicleta Harley Davidson.
Uma aventura que, mesmo tendo sido realizada há cerca de seis anos, até hoje é inesquecível para Palito e um grupo de amigos - igualmente apaixonados por motos - que o acompanhou. “Todo motociclista que se preze sonha em andar na Route 66. E o mito é fazer com uma Harley”, ressalta o comerciante.
Para isso, estabeleceram um planejamento rigoroso, que envolveu o pagamento antecipado de grande parte das despesas. “O mais caro era o aluguel das Harleys, que ficava em US$ 170 por dia. Assim, quitamos em 15 meses os custos para ficarmos preocupados durante a viagem apenas com o abastecimento delas, que era à parte”, lembra Palito.
Feito isso, Palito e seus amigos embarcaram em um avião até Los Angeles, onde locaram nove motocicletas Harley Davidson e partiram para a Route 66. A viagem durou dez dias e percorreu cerca de 3 mil - dos mais de 8 mil - quilômetros da rodovia que liga Chicago ao ponto de partida dos aventureiros bauruenses.
De lá, Palito iniciou aquela que seria a viagem mais marcante de sua vida. “Já andei quase o Brasil inteiro atrás dos encontros de moto, mas esta aventura foi especial, pois foi a primeira que fiz fora do Brasil. Posso dizer que minha estréia foi com o pé direito”, brinca o comerciante.
Ao “pisar” na Route 66, Palito diz que a vontade inicial era estar ao comando de uma moto esportiva para acelerar fundo. “O asfalto era um tapete e havia vários retões”, recorda. Mas, passado os arroubos velocistas, o comerciante voltou à realidade. “Lá não se pode nem sonhar em andar em alta velocidade, pois a polícia é rígida e a fiscalização intensa. Mas não fomos lá para correr”, diz.
Segundo Palito, a aventura em terras ianques foi uma rara oportunidade de conhecer vários pontos turísticos e aspectos histórico-culturais presentes ao longo da Route 66. Em relação às belas paisagens, o bauruense não titubeia um segundo ao responder qual foi a mais impressionante: o Grand Canyon, um dos cartões-postais do país. “É impossível descrever a beleza daquele lugar”, frisa.
Outros pontos turísticos que ficaram guardados para sempre na memória de Palito após percorrer a Route 66 foram a usina hidrelétrica de Hoover, localizada na divisa dos Estados do Arizona e da Califórnia e considerada uma das maiores do mundo, e os pequenos vilarejos onde o grupo dormia. “Em um deles foi feito até um filme de faroeste americano”, conta.
A infra-estrutura da estrada também trouxe lembranças. “Ela é impecável, pois há bons postos de abastecimento e bares por toda sua extensão. Um dos mais tradicionais e que mais gostei foi o Bagdad Cafe”, afirma Palito, em alusão a um dos pontos de encontro preferidos dos turistas que viajam pela Route 66.
Mas como nem tudo é um “mar de rosas”, Palito revela ter enfrentado dificuldades durante a viagem. O idioma foi um deles, logo superado. “Como não falava uma palavra em inglês, contava com pessoas do grupo fluentes na língua. Entretanto, depois de alguns dias já estava me virando bem, pois você vai pegando as manhas”, salienta.
O outro obstáculo era o calor. Rodeada por paisagens desérticas, freqüentemente Palito e o grupo eram obrigados a encarar temperaturas acima de 40º Celsius durante a aventura. “Sofremos”, resume o comerciante.
Apesar disso, Palito é taxativo. “Valeu a pena e, se pudesse, voltaria nela para fazer o trecho restante da Route 66 que não andamos”, sustenta. Enquanto isso, o bauruense alimenta as idéias de duas viagens dos sonhos. “Um dia gostaria de visitar o Canadá, que dizem ser um país de paisagens exuberantes, e percorrer todo o litoral brasileiro de moto até o Nordeste”, finaliza.
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Perfil
Nome: Ivaldo Simi Misquiati
Apelido: Palito
Idade: 51 anos
Profissão: Comerciante
Hobby: Motocicleta
Lugar bonito: Lagoa Santa (GO)
Cor predileta: Azul e preto
Time do coração: Palmeiras
Para quem você nunca daria carona na sua moto? “Não levaria, principalmente, o organizador do trânsito em Bauru. O trânsito aqui é um lixo.”
E para quem você faria questão de dar carona? “Minha mulher Regina e minha neta Maria Eduarda.”
Que nota você daria aos motoristas bauruenses? “Cinco. O trânsito em Bauru é complicado e, quando ando de moto, fujo dos carros e dos motoqueiros. É muito mais fácil andar em São Paulo que aqui, pois lá respeitar as regras é questão até de vida ou morte.”
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História da 'Estrada Mãe'
A Route 66 é a mais famosa estrada americana, pois atravessa o país de Leste a Oeste cortando oito Estados - Illinois, Missouri, Kansas, Oklahoma, Texas, Novo México, Arizona e Califórnia - e ligando Chicago a Los Angeles.
O objetivo da rota 66 era interligar o país, unir locais distantes e trazer progresso para a região oeste. Ainda hoje, 70 anos após o início de sua construção, a “Mother Road”, ou Estrada Mãe, continua sendo um dos maiores símbolos de uma América ainda ingênua, perdida no tempo.
Entre 1933 e 1938, a construção da estrada deu emprego para milhares de trabalhadores. O traçado da 66, uma das primeiras a ser totalmente pavimentada, foi adotado de forma a permitir a interligação de dezenas de municípios rurais - muitos deles isolados - no interior dos Estados Unidos.
A 66, além de servir para escoar a produção rural do interior, serviu também como caminho para milhares de pessoas que escapavam de lugares inóspitos e frios do Norte do país e queriam tentar uma vida melhor na Califórnia.
A idéia de um estrada que ligasse Chicago à costa do Pacífico partiu de um esforço conjunto entre Cyrus Avbery (natural de Oklahoma) e John Woodruff (de Springfield) cujo lobbie só se tornou uma realidade em 1916. Nesse ano foi aprovado um plano nacional rodoviário com revisões em 1921. Depois das emendas feitas pelo Congresso, só em 1925 é que se pôs em prática esse mesmo plano.
Oficialmente, o número 66 foi destinado à estrada de Chicago para Los Angeles, no Verão de 1926. Contrariando muitas estradas do seu tempo, o traçado da Route 66 não era linear mas sim diagonal, ligando centenas de importantes comunidades rurais de Illinois, Missouri, Kansas a Chicago permitindo o fácil transporte de cereais.
No seu famoso comentário social, “As Vinhas da Ira”, John Steinbeck chama a Route 66 de “Mother Road”, livro que serviu para imortalizar a 66 na consciência americana. A sua história fala de pessoas que fogem à Grande Depressão procurando outra oportunidade na costa do Pacífico. Perto de 210 mil pessoas migraram para a Califórnia para escapar à Grande Depressão. Para muitos, a Route 66 simbolizou “o caminho para a oportunidade”.
Um deles foi Bobby Troup, um antigo pianista e ex-capitão da Marinha. Com um mapa da Route 66 nas mãos escreveu uma música chamada “Get your kicks on Route 66”, que se tornou popular para inúmeros motoristas que viajavam constantemente pela estrada e foi editada, em 1946, por Nat King Cole.
Lojistas, donos de motéis e gasolineiros cedo aperceberam-se da prosperidade que advinha da Route 66. Depois de concluída a estrada foram criadas cada vez mais lojas, bombas de gasolina e motéis por toda sua extensão, que, graças à onda turística, conseguiram estabelecer-se na Route 66. (Da Redação)
Fonte: site História da Route 66 por João Paulo Santos