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Lipoaspiração agora pode tirar só até 7%

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 3 min

O Conselho Federal de Medicina (CFM) anunciou na semana passada novas regras para a realização da lipoaspiração no Brasil. O objetivo, segundo a assessoria de imprensa do órgão, é estabelecer parâmetros de segurança para a cirurgia - hoje um dos tratamentos estéticos mais procurados no País.

A lipoaspiração é um procedimento operatório invasivo (perfura o corpo) onde parte da gordura subcutânea excedente é extraída por uma técnica de aspiração. Como qualquer cirurgia, requer anestesia e envolve riscos.

De acordo com a Agência Brasil, a busca pelo corpo perfeito levou, em 2003, cerca de 200 mil brasileiros para a mesa de cirurgia. Desse total, cerca de 80 mil pessoas (40%) submeteram-se ao processo de lipoaspiração. E a procura por esse tipo de cirurgia aumenta 20% a cada ano.

O problema é que a “febre” criada em torno da técnica gerou um aumento significativo no número de denúncias de erros médicos. Em 2000, foram cinco denúncias. Já em 2002, esse número passou para 38, conforme a agência.

Preocupado com a exagerada e até vulgarizada divulgação de métodos e produtos relacionados com a medicina estética, o CFM instaurou a Câmara Técnica sobre Produtos e Técnicas em Procedimentos Estéticos. - uma comissão formada por especialistas para determinar parâmetros para a especialidade médica. Uma das primeiras medidas foi a publicação da Resolução 1.711/2003, que regulamenta a lipoaspiração.

A câmara reconhece a técnica como válida e consagrada dentro do arsenal da cirurgia plástica, mas salienta que ela não deve ser indicada como alternativa de emagrecimento. Sua utilização tem indicação precisa: corrigir o contorno corporal em relação à distribuição do tecido adiposo subcutâneo, ou seja, retirar a gordura excedente que fica depositada em algumas regiões do corpo mesmo depois de se ter atingido o peso ideal.

Para isso, fica determinado que o volume de gordura aspirada durante a cirurgia não deve ultrapassar 7% do peso corporal quando se usa a técnica infiltrativa ou 5% quando se usa a técnica não-infiltrativa. Além disso, a aspiração fica limitada a uma extensão de até 40% da área corporal total. Exceções devem ser devidamente justificadas e documentadas pelo cirurgião previamente.

Segundo o cirurgião plástico Bashir Mussa Gazi, a técnica mais utilizada atualmente é a infiltrativa, em que o especialista injeta uma mistura de soro fisiológico com adrenalina na camada gordurosa para facilitar a aspiração. “O soro umidece o tecido e a adrenalina faz uma vasoconstrição. Isso permite que o procedimento tenha pouco sangramento. A técnica não-infiltrativa está caindo em desuso”, explica.

O conselho também determina que a cirurgia só pode ser feita por profissional com treinamento específico. Além da formação tradicional em medicina, é preciso que o médico tenha habilitação em cirurgia-geral para que esteja apto a prevenir, reconhecer e tratar eventuais complicações inerentes à abordagem invasiva.

A resolução determina, ainda, que devem ser seguidas todas as condutas pré-operatórias convencionais, incluindo anamnese (avaliação clínica feita em consulta), exame físico e as avaliações clínicas, laboratoriais e pré-anestésicas necessárias.

Todos os procedimentos devem ser realizados em salas cirúrgicas devidamente equipadas para a monitorização integral do paciente e para o atendimento de eventuais intercorrências e complicações inerentes a todo tipo de cirurgia.

Se o paciente vai receber sedação endovenosa, bloqueio peridural, raquianestesia ou anestesia geral, é obrigatória a participação do médico anestesiologista durante todo o procedimento. Isso só é dispensável em atos cirúrgicos de pequeno porte executados sob anestesia local, sem sedação endovenosa.

E bem antes da cirurgia, o paciente deve ser informado sobre o tipo de anestesia que será usado, sobre os objetivos do procedimento, sobre os cuidados pré e pós-operatórios e sobre os riscos do procedimento. A partir desses dados ele deve manifestar seu consentimento para a execução da lipoaspiração.

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