Cultura

Elis encanta Regina

Cristiane Goto
| Tempo de leitura: 4 min

Grandes talentos da música brasileira, como a diva Elis Regina, nunca vão cair no esquecimento. Amantes ou não da Pimentinha (apelido como era conhecida), a maioria das pessoas conhece pelo menos uma de suas canções, afinal, quem nunca ouviu “O Bêbado e o Equilibrista”, “Como Nossos Pais”, “Dois Pra Lá Dois Pra Cá” ou “Romaria”.

Assim, não é difícil presumir que o nome Elis Regina, que desde a década de 60 é sinônimo de sucesso, ainda será lembrado por muitas gerações. A prova disso é a realização do projeto musical “Regina Canta Elis”, desenvolvido pela cantora Regina Dias, que nasceu em Ribeirão Preto, São Paulo (SP).

Produzido em parceria com o Serviço Social do Comércio (Sesc), o trabalho surgiu há dois anos para integrar a programação em homenagem ao 20.º aniversário de morte de Elis, e na ocasião a intérprete paulista cantava apenas algumas de suas músicas.

Mas, como a iniciativa obteve sucesso, Regina resolveu criar um novo formato e transformá-lo em um show, que está sendo apresentado em diversas cidades do Interior de São Paulo.

Na próxima quarta-feira é a vez de Bauru. Regina sobe ao palco da área de convivência do Sesc da cidade, às 21h30. O show - que ainda preserva o nome do projeto inicial, “Regina Canta Elis” - é um verdadeiro histórico da carreira de Elis. Durante aproximadamente uma hora e meia, a intérprete apresenta um repertório formado por mais de 20 músicas que marcaram a trajetória da Pimentinha. Entre elas, as canções já citadas e pérolas como “Arrastão” e “Águas de Março”.

Mas, segundo Regina, engana-se quem pensa que a carreira da diva se resumiu a seus sucessos. “Elis Regina não era só ‘Dois Pra Lá Dois Pra Cá’. Ela tem vários trabalhos riquíssimos, que poucos conhecem”, diz a cantora, que sobe ao palco acompanhada dos músicos José da Conceição (violão), José Pereira (contrabaixo) e Duda (bateria).

Fã da Pimentinha desde menina, Regina coleciona até hoje revistas, fotografias e cartazes sobre Elis. Além disso, possui todos os LPs e Cds que marcaram as diversas etapas da trajetória musical da diva. Ao todo, são quase 30 discos. “A fase inicial de sua carreira ficou destacada com ‘Cantador’, canção que lhe rendeu o prêmio de melhor intérprete e onde ela começou a fazer sucesso”, conta.

“Tem a fase da Bossa Nova com o programa ‘O Fino da Bossa’ e o álbum gravado em um show de Montreaux, na década de 80. Nesse disco, ela gravou uma música do Djvan, ‘Samba Dobrado’, e ‘Mancada’, de Gilberto Gil. Falo também de algumas datas importantes, como o ano de 1974, quando ela completou dez anos de carreira e gravou ‘Elis e Tom’”, revela a paulista, ressaltando que já incluiu essas canções no repertório da apresentação de quarta-feira.

Resgate musical

Além de relembrar sua música, Regina conta curiosidades da trajetória de Elis durante o show. Segundo a intérprete, a diva foi responsável por resgatar trabalhos de compositores famosos, como Cartola, e ao mesmo tempo lançar vários artistas no cenário da MPB. Entre eles, Milton Nascimento, Fagner, Renato Teixeira, João Bosco, Aldir Blanc e Ivan Lins.

“Elis cantou ‘Upa Neguinho’, composta por Edu Lobo. Ela colocou a cara dela e essa música foi um tremendo sucesso. Eu canto ‘Me Deixa em Paz’, do Ivan Lins. Tenho informações de que quando Elis ouviu essa canção, ela estava se divorciando do Ronaldo Boscoli, então a canção se encaixou na época da separação”, adianta Regina.

De acordo com a intérprete, a idéia do show é resgatar o trabalho de Elis. “Ela é uma diva da música brasileira. Todo mundo sabe disso. Seu trabalho é muito atual, inclusive em termos de arranjos que eram modernos para a época, um exemplo é ‘Como Nosso Pais’”, aponta.

Para Regina, além de suas obras serem sempre lembradas pelos fãs, o talento da Pimentinha parece ser transmitido - literalmente - para a geração atual. E a prova, segundo a paulista, é o trabalho que está sendo desenvolvido pela herdeira de Elis, Maria Rita. “Acho que Maria Rita tem o dom para música e o fato de ela puxar o pescoço e balançar os braços como a mãe, não é forçado, é tudo feito de maneira muito natural. É genético”, opina Regina, que pretende tocar canções de Maria Rita no final do seu show.

• Serviço

Show “Regina Canta Elis” será realizado quarta-feira, às 21h30, na área de convivência do Sesc. Avenida Aureliano Cardia, 6-71. Informações: (14) 3235-1750.

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Quem é a artista

Nascida em Ribeirão Preto, Regina Dias está na estrada há mais de 15 anos. Ela começou a cantar em um grupo vocal da Universidade Federal de São Carlos (UFScar), onde cursou enfermagem. Com o passar do tempo, passou a se dedicar à música, se apresentando em bares e casas noturnas do Interior. Morando atualmente em São Carlos (S.P), a intérprete divide seu tempo entre o trabalho na enfermeira da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) pediátrica de Campinas e os shows. Ainda este ano, Regina planeja gravar um disco.

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