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Obras quer novo estudo para Rodrigues

Ronaldo Schiavone
| Tempo de leitura: 4 min

A Secretaria Municipal de Obras anunciou que irá contratar um estudo particular com o intuito de diagnosticar a melhor alternativa para resolver os problemas de pavimento no trecho central da avenida Rodrigues Alves. No ano passado, a prefeitura chegou a abrir o processo licitatório para aquisição da consultoria externa, mas voltou atrás diante da repercussão negativa do fato.

O secretário municipal de Obras, Jorge Roberto Monteiro, afirma que ainda não é possível saber quanto será gasto para efetuar a contratação do diagnóstico, mas no ano passado ele foi orçado em cerca de R$ 35 mil.

As despesas com a terceirização reabrem a discussão sobre a necessidade do poder público buscar soluções mais baratas quando não tiver capacidade para elaborar estudos técnicos específicos, firmando, por exemplo, parcerias com as universidades.

Procurada pela reportagem, a direção da Faculdade de Engenharia da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru afirma estar disposta a executar o diagnóstico, desde que seja procurada pela prefeitura e conte com os equipamentos e material humano necessários para a realização do serviço.

O diretor da faculdade, professor Lauro Henrique Mello Chueiri, diz que a instituição está de portas abertas para a administração municipal. “Provavelmente, poderemos ajudar bastante e é um dever nosso ajudar a cidade. Tem ensaios e estudos que podemos fazer e, talvez, outros que não tenhamos condição de executar. Precisaríamos verificar exatamente o que a prefeitura pretende fazer”, ressalta.

Ele lembra que uma possível parceria traria economia aos cofres públicos. “O custo sai muito mais barato, porque uma empresa particular provavelmente vai ter lucro e, com a universidade, a prefeitura só teria gasto com material de consumo”, comenta.

Contato

Embora tenha anunciado a intenção de contratar a consultoria externa, o secretário de Obras não descarta a possibilidade de procurar a Unesp para tentar viabilizar o diagnóstico. “Não deixa de ser um estudo especializado”, declara.

Monteiro, que cursou engenharia civil na Unesp, diz que recentemente manteve contatos informais com professores da instituição, que se mostraram dispostos a colaborar com a pasta. “Chegamos a comentar, por cima, sobre os problemas de erosão da cidade e da própria avenida Rodrigues Alves”, revela.

Ele afirma, ainda, que a realização do estudo é fundamental para solucionar definitivamente os problemas de asfalto da avenida, independentemente de quem o faça. “Seria simples chegar, remover esse pavimento atual e refazer a base, mas com esse tráfego intenso que existe no local, daqui a algum tempo a situação voltaria a ser a mesma”, argumenta.

Questionado sobre a possibilidade da própria secretaria executar o diagnóstico, Monteiro afirma que o principal empecilho é falta de equipamentos específicos. “Para iniciar o trabalho, não temos um laboratório de análise de solo, por exemplo”, justifica.

No ano passado, a Secretaria de Obras trocou o pavimento da quadra 9 da avenida. O objetivo foi testar a resistência do concreto utilizado para reconstruir a base asfáltica. “Esse modelo pode ser adotado no restante da via e não é uma alternativa descartada, mas o pavimento rígido (concreto) ainda tem um custo muito elevado em relação ao asfalto”, comenta Monteiro.

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Emergência

Enquanto aguarda a abertura da licitação para a contratação do estudo que vai apontar a solução definitiva para o pavimento da avenida Rodrigues Alves, o secretário municipal de Obras, Jorge Roberto Monteiro, afirma que a pasta irá tomar providências emergenciais para eliminar as irregularidades do asfalto e depressões mais acentuadas da via.

Ele explica como será feito o trabalho. “Nos pontos mais críticos, estaremos fazendo a remoção do asfalto. Funcionará como uma espécie de remendo”, diz. Monteiro calcula que as obras possam ter início dentro de 30 dias.

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Engenheiros defendem elaboração de projeto

A realização de um estudo que indique o melhor tipo de pavimento para a avenida Rodrigues Alves é defendida por três engenheiros consultados pela reportagem.

Para o professor aposentado Vladimir Coelho, doutor em pavimento de concreto asfáltico pela Universidade de São Paulo (USP), as condições ideais para a execução da análise dependem da tecnologia ideal. “E isso a prefeitura não tem. É um assunto que não é complicado, mas também não é corriqueiro. É preciso a contratação de uma firma especializada que tenha experiência no assunto”, opina.

Ele lembra que, além do diagnóstico, é preciso estar atento à execução do serviço de troca do pavimento asfáltico. “O acompanhamento tecnológico é importante para que o problema não retorne daqui a alguns anos”, diz.

O ex-secretário municipal de Obras, Joaquim Figueiredo, concorda. “A contratação de um estudo para a avenida é uma boa medida, mas o acompanhamento de laboratório na fase de execução é o principal”, analisa.

O vice-presidente do Sindicato dos Engenheiros, Marcos Wanderlei Ferreira, defende que o diagnóstico seja feito em parceria com a Universidade Estadual Paulista (Unesp). “Temos professores que estão fazendo especialização nessa área e que deveriam ser consultados. Também seria uma maneira de valorizar os nossos profissionais. A prefeitura, através de um convênio, poderia solicitar um parecer técnico”, argumenta.

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