O Ministério da Saúde autorizou o pagamento de R$ 3,7 milhões referentes a repasses atrasados que a Associação Hospitalar de Bauru (AHB) e o Hospital de Reabilitação de Anomalias Cranofaciais da Universidade de São Paulo (USP), o Centrinho, têm para receber. O dinheiro diz respeito a atendimentos prestados aos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) em outubro e novembro do ano passado.
A Fundação para o Estudo e Tratamento das Deformidades Craniofaciais (Funcraf), que administra as verbas do Centrinho, aguarda o repasse de cerca de R$ 2,1 milhões até o início da próxima semana, dos quais R$ 1,45 milhão são para Bauru e o restante para as subsedes de Santo André e Itararé.
Segundo a gerente geral da instituição, Ana Maria Carlele Soares, o dinheiro já foi encaminhado pelo Ministério da Saúde à Secretaria de Estado da Saúde, mas há um prazo médio de três dias úteis para que a verba seja liberada. “Utilizaremos esse valor para cobrir o restante da folha de pagamento de dezembro e pagar os fornecedores”, revela.
A Funcraf enfrenta sérias dificuldades financeiras em razão do atraso. Cerca de 90% dos seus procedimentos são de alta complexidade, justamente os que estão demorando mais para serem pagos.
Os cerca de 330 funcionários do Centrinho contratados pela fundação em Bauru só receberam 90% dos salários de dezembro graças a uma verba de R$ 358 mil que foi liberada pelo ministério, no sábado, para a subsede de Campo Grande (MS). Já para efetuar o pagamento do 13.º salário, foi necessário contrair um empréstimo bancário.
A fundação também teve que negociar com os fornecedores, para que eles continuassem entregando equipamentos e materiais até que a situação seja regularizada. São comprados, por exemplo, cerca de 800 aparelhos auditivos por mês. Com o acordo, o atendimento dos pacientes não chegou a ser comprometido. “Se não fosse a compreensão dos fornecedores, estaríamos em uma situação complicada”, diz Soares.
A diretora-presidente da Funcraf, Telma Flores Genaro Mott, afirma que o dinheiro liberado pelo ministério se refere aos atendimentos de outubro. “Ficará faltando o repasse de novembro, ou seja, mais R$ 2,7 milhões. Esperamos ter alguma notícia ou previsão sobre esse dinheiro na próxima semana”, prevê.
Ela explica que, anteriormente, o ministério costumava demorar, em média, 60 dias para efetuar o pagamento do SUS, mas desta vez o repasse está demorando mais do que o previsto.
Associação
O superintendente da AHB, José Cardoso Neto, afirma que a entidade recebeu R$ 1,6 milhão do SUS anteontem. “Isso praticamente liqüida a dívida referente a outubro e novembro”, diz.
A AHB administra os hospitais de Base, Manoel de Abreu e Maternidade Santa Isabel, que internam cerca de 20 mil pacientes por mês, dos quais 80% oriundos do SUS.
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Atraso
Telma Flores Genaro Mott, diretora-presidente da Funcraf, se mostra preocupada com possíveis novos atrasos de verbas para o Centrinho. “Na próxima semana, já teremos que começar a pensar na folha de pagamento de fevereiro. Precisaremos negociar novamente com fornecedores e funcionários, porque o agendamento de pacientes já está pronto e eles já foram convocados. Muitas famílias são carentes e vêm de longe”, comenta.
Ela lamenta que a demora no pagamento tenha comprometido o esforço da Funcraf em equilibrar as suas finanças. A instituição saiu de um déficit acumulado de R$ 3,5 milhões em 2002 para um superávit de R$ 2 milhões em setembro do ano passado. “Quando estávamos começando a pensar em investir, tivemos esse problema”, diz.