Um carteiro foi vítima de roubo ontem à tarde na quadra 3 da rua Antônio Prudente, no Jardim América, quando entregava correspondências no bairro. Um rapaz, ao colocar uma das mãos sob a camisa, simulando estar armado, exigiu o malote que continha correspondências diversas, inclusive talões de cheques e cartões bancários. Minutos depois, policiais militares apreenderam o malote com dois rapazes em uma moto, no Jardim Araruna.
Cristian José Bastos de Assis, 31 anos, o carteiro, contou à polícia que após lhe ameaçar, o ladrão colocou o malote dos Correios dentro de uma bolsa preta. A poucos metros do local, um outro rapaz, em uma moto, esperava o ladrão com o malote.
Com base nas informações passadas pelo carteiro, de que um ocupante da moto usava capacete branco e outro preto, carregando uma sacola de cor preta, uma equipe da Base Comunitária Leste desconfiou de dois rapazes que transitavam pelo Jardim Araruna, contam os soldados Ricardo Antônio Amaral e Wander Luiz Riehl.
“Sabíamos que a moto tinha tomado rumo ignorado e como todas as características batiam, fizemos a abordagem e achamos a bolsa dos Correios”, conta Amaral. Adilson Luiz da Silva, 23 anos, morador no Núcleo Beija-Flor, que carregava a bolsa, e Ronaldo Neves Rocha, 33 anos, que dirigia a moto, não ofereceram resistência e foram presos em flagrante.
Silva, que foi reconhecido pelo carteiro como o autor do roubo, comentou com os policiais que seu objetivo era pegar os talonários de cheques. “O que interessava a eles eram os cheques que são entregues pelos Correios”, relata Amaral.
Um outro policial frisa que o carteiro da zona sul teria sido escolhido porque a probabilidade de estar carregando cheques seria maior que em bairros da periferia. Na bolsa havia menos de dez talões e alguns cartões eletrônicos.
Os dois foram encaminhados ao 3.º Distrito Policial, onde foram autuados em flagrante por roubo pelo delegado Ismael Cavalieri. Ambos foram recolhidos à Cadeia Pública de Avaí. A pena para roubo é de quatro a dez anos de prisão.
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Caso raro
Para a diretoria dos Correios de Bauru, o roubo ocorrido ontem foi um fato isolado e não chega a preocupar a empresa. A assessoria de imprensa não tem dados sobre assaltos sofridos por carteiros na cidade, mas garante que os casos são raríssimos no Interior. “Esse é um problema da Capital, não do Interior”, diz a assessoria.
Caso os cheques roubados não tivessem sido recuperados, eles não seriam compensados. Isso porque os cheques entregues pelos Correios precisam ser desbloqueados pelo correntista para ter valor legal, lembra a assessoria de imprensa. Porém, nada impediria que os cheques fossem emitidos e recebidos por terceiros, que ficariam com o prejuízo.
Se a incidência de roubos de malotes com talões de cheques aumentar em cidades do Interior, a saída será passar a entregar esse tipo de documento apenas por meio de veículos motorizados, o que reduz o risco de roubo, informa a assessoria de imprensa dos Correios.
Parte dos talões de cheque, os que os bancos enviam por meio de Sedes, já é entregue por um carteiro motorizado. Em Bauru, incluindo os serviços de entrega de correspondência a pé e motorizado, trabalham 202 carteiros.
A home page do Banco Central traz uma lista dos motivos para devolução do cheque na compensação. Entre eles estão a falta de confirmação do recebimento do talonário pelo correntista, furto ou roubo de malotes e divergência de assinatura.