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Copom: falta de sensibilidade


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A decisão do Comitê de Política Econômica (Copom) de manter a taxa básica de juros em 16,5% ao ano vai além do conservadorismo e demonstra evidente falta de sensibilidade. Burocratas fechados em suas salas com ar-condicionado demonstram viver em uma realidade distante da realidade do povo brasileiro. Podem apresentar inúmeros parâmetros econômicos para justificar a decisão, todavia, jamais conseguirão provar que estão corretos.

O presidente da República e seus principais ministros (Palocci e José Dirceu) são enfáticos em alardear que a retomada do crescimento é irreversível e que a economia brasileira já teria passado a pior fase em 2003. A população brasileira acreditou nisso. Uma frase bíblica resume a postura do governo: “Não há fé sem obras”, isso quer dizer, não há resultados práticos sem ações. Não adianta desejar a retomada do crescimento, é preciso agir para que ela aconteça. O mercado esperava 0,5 ponto percentual. Essa eventual redução não resolveria todos os problemas e tampouco nos tiraria da desastrosa posição da maior taxa de juros do mundo, contudo, manteria e reforçaria a confiança do consumidor.

O Banco Central deu munição ao mercado. Todos sabemos que a repercussão de uma queda é infinitamente menor do que uma decisão de manutenção ou elevação dos juros. Considerando todos esses aspectos, a conclusão que chegamos é: podemos até entender de lógica econômica, mas entender de comportamento de burocratas só buscando ajuda em outras ciências. Para não utilizar outra expressão, vou ficar com a falta de sensibilidade.

O autor, Reinaldo Cafeo, é economista e diretor do Corecon.

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