Bairros

FOB começa a tratar resíduos químicos

Ronaldo Schiavone
| Tempo de leitura: 3 min

A Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB) decidiu tratar os resíduos químicos gerados por materiais utilizados nas clínicas da instituição e no Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais da Universidade de São Paulo (Centrinho). Para isso, foram investidos cerca de R$ 20 mil na criação de um laboratório que começou a funcionar no final do ano passado.

O coordenador do projeto, professor José Mauro Granjeiro, explica que serão tratados resíduos de acetona, álcool, xilol, amálgama e soluções para processamento radiográfico. “Fizemos um mapeamento de risco há quase dois anos e vimos que os materiais perigosos mais utilizados eram esses. Eles não tinham destino correto e são produzidos em grande escala”, comenta.

Embora o laboratório tenha entrado em operação apenas em dezembro, Granjeiro conta que o material está sendo armazenado desde julho do ano passado. “O que mais temos hoje é o amálgama, que foi acondicionado em água destilada e está sendo processado aos poucos”, diz.

Ele comenta que o amálgama, utilizado para restaurações dentárias, é o material que causa maior preocupação, porque contém mercúrio em sua composição. “Antes, o destino dele era a pia”, relata.

Embora não haja um levantamento preciso, o professor calcula que a FOB gere de 300 a 400 gramas de resíduos de amálgama por mês. “Não existia a cultura de acumular o material e, neste ano, estaremos fazendo um estudo preciso de quanto é produzido por clínica e laboratório”, revela.

Ele acredita que, em breve, será possível receber também resíduos de amálgama de clínicas particulares. “Desde que o material seja enviado de forma adequada, poderemos estudar como fazer a destinação correta dele”, declara.

Parceria

Granjeiro, que é professor do Departamento de Ciências Biológicas da FOB, explica que, por enquanto, as soluções para processamento de radiografia serão enviadas para tratamento na USP de Ribeirão Preto. “O sistema para remover a prata da solução fixadora é caro e compensa fazer o serviço em grande escala. Por isso, optamos pela parceria”, justifica.

Ele revela que cerca de 200 litros de solução que vêm sendo armazenados desde julho seguirão para Ribeirão Preto na próxima semana.

Segundo Granjeiro, outra vantagem do sistema de tratamento é a possibilidade de reaproveitar parte dos materiais, especialmente o xilol. “De cada litro utilizado, conseguimos recuperar 95%. Com isso, a economia é muito grande, já que o preço do litro é, em média, vendido a R$ 65,00”, analisa.

O laboratório de resíduos químicos foi montado em uma sala que já existia anteriormente, mas o professor sonha com a construção de um espaço próprio ainda este ano, com custo previsto entre R$ 50 mil e R$ 75 mil. “É um prédio pequeno, mas que ficará melhor localizado, porque o atual fica no terceiro piso e é mais difícil transportar o material”, argumenta.

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Consultórios

O diretor da Agência Ambiental da Companhia de Tecnologia e Saneamento Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) de Bauru, Rogério Chini, explica que as clínicas odontológicas não precisam tratar os resíduos nos próprios consultórios. “Elas podem contratar empresas especializadas em fazer esse serviço. O que não pode é dispor esse material de qualquer jeito”, alerta.

Ele explica que o tratamento do material está previsto em duas resoluções, uma do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) e outra da Secretaria de Estado do Meio Ambiente.

Os representantes da Associação Paulista dos Cirugiões Dentistas (APCD) e da Associação Brasileira de Odontologia (ABO) em Bauru informaram à reportagem que os resíduos produzidos nos consultórios da cidade são recolhidos pelas equipes de coleta especial da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb).

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