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Pesquisa meteorológica começa na 4ª

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 3 min

O Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) da Universidade Estadual Paulista (Unesp) lança na próxima quarta-feira o primeiro balão estratosférico que irá coletar dados sobre a poluição do ar, descargas elétricas e deve auxiliar na previsão do tempo.

Caso as condições climáticas não sejam as ideais para o lançamento, deverá ser marcada uma nova data.

Dos 60 estrangeiros que virão a Bauru para participar do lançamento dos balões, metade deles já está na cidade. Os demais devem chegar até o começo do mês que vem.

A previsão do coordenador geral do projeto, Gerhard Held, é de que todos os 18 balões estejam no ar até março. O diâmetro desses balões varia de 10 a 40 metros. Eles irão voar em torno do planeta numa altitude de 15 a 25 quilômetros de altura.

Participarão do projeto pesquisadores do Brasil, dos Estados Unidos e de diversos países da Europa, como Alemanha, Suíça, Inglaterra, Rússia, Itália, França, Dinamarca, Noruega e também do Japão.

Eles querem saber, entre outras coisas, qual é o impacto ambiental do óxido de nitrogênio liberado pelas turbinas dos aviões e pelas descargas elétricas, durante as tempestades tropicais.

Isso porque o óxido de nitrogênio pode sofrer reações químicas e tornar-se altamente poluente, segundo informou Roberto Vicente Calheiros, diretor do IPMet e coordenador científico do projeto.

A região de Bauru foi escolhida para sediar a pesquisa em função das condições meteorológicas - de alta incidência de descargas elétricas - e devido à existência de radares meteorológicos do IPMet - em Bauru e em Presidente Prudente.

Cada balão levará uma sonda, que será responsável pela coleta das informações atmosféricas. As maiores pesam cerca de 150 quilos e voarão por seis horas, tempo suficiente para se obter as informações necessárias à pesquisa.

As sondas menores, que pesam 20 ou 40 quilos, serão acopladas aos balões menores, com condições de voar quase três vezes ao redor do planeta.

Segundo os pesquisadores, os balões estarão sempre numa altura superior a 15 quilômetros. Abaixo desse limite, há riscos de acidentes com os aviões.

A queda das sondas, de acordo com Gerhard Held, será

controlada pela equipe, por meio de rádio. Depois que o equipamento for desconectado do balão, ele volta à Terra com auxílio de pára-quedas. Os balões, por sua vez, continuam a viagem e se perdem no espaço.

No caso das sondas mais pesadas, o local mais apropriado para o resgate serão as fazendas ou qualquer outra área que esteja longe da zona urbana.

No ano passado, foram lançados sete balões. Dois foram derrubados por um furacão na costa australiana.

Apesar dos imprevistos, o resultado foi considerado satisfatório pelos pesquisadores. A expectativa é de que neste ano a coleta de informações seja ainda melhor.

Dois aviões, um Falcon e um M-55, especialmente adaptados para pesquisas, também participarão dos testes, mas em Gavião Peixoto.

Em Bauru, ficará o grupo de cerca de 60 pessoas responsável pelas pesquisas com balões. Outros 130 pesquisadores ficarão em Gavião Peixoto, com os aviões.

As pesquisas devem durar cerca de um mês e estão orçadas em mais de R$ 30 milhões.

“O investimento, quase que na sua totalidade, será feito pelos estrangeiros. Nós vamos dar suporte logístico e de pessoal. É uma pesquisa importante para a região, para o Estado, para o Brasil, mas também para todo o mundo”, disse Calheiros.

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