Se o poder público deixa a desejar nas questões ambientais, as Organizações Não-Governamentais (ONGs) são criadas para preencher as lacunas. Ou seja, fazer o que não foi feito. Essa é a opinião de integrantes de ONGs ambientalistas em Bauru.
“A ONG nasce justamente da ineficiência do Estado em atuar em certos setores. A ineficiência da prefeitura, do Estado, da União em atuar na questão ambiental e animal. Existem leis, mas elas muitas vezes não são aplicadas porque a máquina não consegue aplicar”, afirma José Hermann, diretor jurídico da ONG Naturae Vitae.
Com pouco mais de um ano de atuação, a entidade conta com cerca de 20 participantes, entre eles alguns universitários. O foco da atuação é a defesa animal e ambiental.
Apesar da crescente burocracia imposta às entidades sem fins lucrativos, Hermann acredita que o caminho das ONGs é um caminho de facilidade por não depender de iniciativa do governo.
Já o secretário excecutivo do Instituto Ambiental Vidágua, Ivan Ferrazoli de Marche, critica os procedimentos burocráticos. “Há dez anos atrás era muito menos burocrática a questão de conseguir recursos. Hoje, a gente tem que apresentar uma série de documentos, papéis, projetos”, argumenta.
Apesar das críticas, ele afirma que as Organizações Não-Governamentais estão se fortalecendo. “A questão é que as ONGs estão se profissionalizando. As pessoas estão buscando capacitação”, afirma.
Para o ambientalista, tais entidades existem porque o governo está deixando de exercer sua função. “Por exemplo: o prefeito de Bauru não trata o esgoto. Nós, do Vidágua, pressionamos. Existem formas de pressionar”, expõe.
Ele acredita que as pessoas têm um poder muito grande nas mãos quando estão unidas. Por isso, incentiva a ampliação do terceiro setor. “Se as pessoas têm uma hora por dia, duas, dez minutos, ela pode ir em busca do que faz uma ONG e de como ela pode contribuir. Tem gente que dedica uma hora por dia”, exemplifica.
Readequação
O administrador Waldir Caso, membro da Sociedade Amigos pela Cidadania e Meio Ambiente de Bauru, diz que a entidade está passando por uma readaptação e em breve estará com a papelada regularizada, podendo ser enquadrada como uma Organização Não-Governamental.
O grupo foi criado em janeiro de 2001. “Nosso objetivo social seria estimular a convivência, solidariedade, amizade, proteção ao meio ambiente, promover a liberdade da comunidade nas dimensões civil e política. Sempre visando a melhoria da qualidade de vida do cidadão”, afirma.
Na opinião de Waldir, o órgão público atualmente produz muito pouco. “Nós entendemos que a ONG pode certamente desenvolver um papel importante na sociedade. O órgão público está muito desgastado”, expõe.
“Nosso objetivo é fazer com que as pessoas pensem no lugar em que elas vivem, como elas vivem e como elas podem mudar essa realidade. A gente faz as coisas por acreditar em mudanças. É um idealismo. A gente faz o que gosta”, acrescenta.