Passado o “boom” das Organizações Não-Governamentais (ONGs) no Brasil, observado principalmente na década de 90, o terceiro setor é um ramo que ainda está crescendo em Bauru, embora timidamente.
O município carece de estatísticas e números oficiais sobre o assunto, mas sabe-se que mais de 100 ONGs atuam na cidade. Só na área social, há mais de 70 entidades sem fins lucrativos cadastradas na Secretaria Municipal do Bem-Estar Social (Sebes).
No site oficial da Associação Brasileira de Organizações Não-Governamentais (Abong), o diretor de relações internacionais da entidade, Sérgio Haddad, explica que as ONGs são muitas, mas difíceis de serem contadas. “Apesar da sua importância no desenvolvimento social do País, a natureza de seu trabalho ainda não é de domínio público.”
Dados de 1995 da Secretaria da Receita Federal apontam que, na época, havia mais de 220 mil organizações sem fins lucrativos cadastradas no País.
E, ainda que muita gente não perceba, os números crescem. Em Bauru, não é diferente. Prova disso é a atuação de novas ONGs no município, como a Naturae Vitae, que tem pouco mais de um ano, e a criação de outras. É o caso da Vida Digna, que deve ser legalmente constituída ainda neste mês para atuar nas áreas social, ecológica e animal.
Por um ideal
A futura presidente da Vida Digna, Helena Beatriz Schuler Cassa da Silva, explica que o grupo, de cerca de 15 pessoas, se reúne há mais de um ano. “São pessoas com os mesmos ideais”, diz. O período de convivência serviu para estabelecer objetivos e traçar o perfil da organização, que será formalizada nos próximos dias.
“Já temos tudo definido, inclusive estatuto e ata”, afirma. “Um grupo de amigos que viesse sem uma entidade jurídica seria muito complicado. Nós não teríamos força junto à sociedade”, acrescenta Helena, justificando a intenção de legalizar a organização.
Ela conta que o grupo se inspirou no trabalho de diversas ONGs instaladas em Bauru, de onde tiraram dicas para criar uma nova entidade.
“Imaginávamos que teríamos menos exigências burocráticas. Mas sentimos que era necessária a legalização para que o grupo tenha maior representatividade”, expõe.
Todos os integrantes da Vida Digna têm atividades paralelas ao trabalho na organização. Uns estudam (são universitários) e outros trabalham em diversos ramos. Uma das dificuldades que eles imaginam que vão encontrar pela frente é a falta de tempo. “As pessoas precisam de tempo para se dedicar à ONG”, diz a coordenadora do grupo.
Helena acredita que os obstáculos ao trabalho (tais como a burocratização) das ONGs desestimulam alguns grupos. “Talvez até haja um número de ONGs expressivo, mas a forma de trabalho talvez seja ainda precária devido a uma série de impedimentos que as pessoas vão encontrando pelo caminho”, avalia.
De acordo com Helena, a criação da Vida Digna foi motivada pela situação de Bauru em relação aos animais abandonados. “Falta preparo e consciência na cidade para a questão do animal. O serviço de ajuda animal está precário porque são poucas pessoas tentando resolver o problema da cidade inteira”, critica.
A linha de atuação da entidade prevê, entre outras ações, a disponibilização de informações sobre como criar animais e sobre a importância da castração para o controle da população de animais errantes. “Não dá para separar o lado social porque são muitas pessoas sobrecarregadas em função desse problema”, justifica Helena.