Carro, moto, ônibus, caminhão, bicicleta... são muitos os meios de transporte hoje em dia. No entanto, andar a pé ainda é um hábito bastante cultivado pelos bauruenses, seja para economizar gasolina ou passe do transporte coletivo, seja por vontade de caminhar, ou mesmo para exercitar o corpo.
Álvaro de Brito, coordenador da Defesa Civil do município e um apaixonado por Bauru, conta que não é difícil encontrar pessoas que cultivam o hábito de caminhar pela cidade. “Aos sábados, podemos observar muitas pessoas que vêm até o Calçadão da Batista de Carvalho apenas para andar e ver as lojas; outras não perdem a feira do rolo, aos domingos, na rua Gustavo Maciel. Esses são exemplos de lugares que recebem muitos adeptos da caminhada”, destaca.
Ele lembra que ir para diversos lugares a pé era um hábito nas décadas de 60 e 70, quando poucas pessoas possuíam automóvel e o transporte coletivo era escasso. “A avenida Pedro de Toledo era lotada de gente que descia da Vila Falcão para a região central”, destaca.
Além das facilidades proporcionadas por carros, motos e ônibus, Brito destaca que o crescimento da cidade não levou em consideração as pessoas que gostam ou precisam se deslocar a pé. “A cidade cresceu privilegiando os espaços para os veículos automotores e não deixou estrutura para os pedestres”, salienta.
A correria dos dias atuais também não dá chance para quem gostaria de percorrer a cidade a pé. Mesmo assim, há quem dê um jeitinho.
A designer Patrícia Oliveira mal sabe qual o preço da passagem de ônibus em Bauru. Ela procura adequar os seus horários para sempre se deslocar a pé pela cidade. “Ando muito e faço isso por opção”, conta.
Ela acredita que percorre, diariamente, cerca de oito quilômetros. “Nunca parei para pensar na distância, mas deve dar isso mais ou menos”, destaca.
O tempo não importa: com chuva ou sol, Patrícia vai para qualquer lugar caminhando. “É um bom exercício físico. Acho importante se movimentar e, como não tenho tempo para fazer academia, faço longas caminhadas”, diz.
Ela adotou esse costume desde que veio fazer faculdade em Bauru, há 6 anos. “Quando estudava na Unesp (Universidade Estadual Paulista), sempre ia a pé. No máximo, usava a bicicleta para me locomover”, ressalta.
O fato de morar no Jardim Brasil facilita a vida da designer. “Aqui eu tenho acesso mais rápido a diversos pontos da cidade”, conta.
Por necessidade
Algumas pessoas adotam o hábito de caminhar por opção. Outras o fazem por falta de condições financeiras. A ajudante de serviços gerais Ivete Vargas dos Santos é uma delas. Os passes de ônibus que recebe da empresa na qual trabalha só duram até a metade do mês. “Eu preciso vendê-los para comprar comida para os meus filhos”, diz.
Viúva e mãe de quatro crianças, ela explica que o salário mal dá para pagar as contas mensais, que incluem aluguel, energia elétrica e água. Por causa disso, ela economiza nos gastos com transporte coletivo para colocar alimento dentro de casa.
Quando os passes e o dinheiro acabam, Ivete faz tudo a pé. Ela mora no Jardim Ferraz e costuma caminhar até o Higienópolis, onde trabalha. “Gasto cerca de uma hora andando até o trabalho”, ressalta.
Brito conta que a situação de Ivete não é rara de se observar entre outros moradores de Bauru, principalmente da periferia. “Tenho um amigo que mora no Jardim Chapadão. Uma vez, ele foi visitar a irmã que mora na Vila Zilo e levou a esposa e os três filhos. No percurso de ida e volta, gastou R$ 24,00, pois teve de pegar dois ônibus para chegar ao seu destino e mais dois para voltar para casa. Ele me disse que não tem mais condições de fazer isso.”