Trocar as armações por discretas lentes de contato é desejo de grande parte das pessoas que usam óculos. Mas antes de aposentar as armações, é necessário procurar uma orientação médica especializada. O uso das lentes diretamente sobre os olhos requer um conjunto de avaliações e cuidados que devem ser seguidos criteriosamente. A desinformação pode transformar conforto e beleza numa grave ameaça.
Segundo os oftalmologistas Erika Canarim de Pinho e Marco Antônio Busch, o número de pacientes com infecções ou mesmo lesões causadas pelo mau uso das lentes de contato tem aumentado muito nos últimos anos. Para eles, a banalização dos produtos, a facilidade de aquisição em lojas nem sempre legalizadas e a falta de orientação e acompanhamento especializados são as principais causas.
“As lentes de contato alteram o funcionamento - a fisiologia - dos olhos. Por isso, devem ser consideradas um procedimento médico”, alerta Busch. Ele lembra que todo procedimento médico envolve riscos e que o uso das lentes não foge a essa regra.
“A maior parte das complicações que chegam ao consultório são pessoas que estão utilizando lentes inadequadas ou que não foram bem orientadas sobre a higienização das mesmas. A gente observa que a maioria desses pacientes não adquiriu produtos éticos (de boa procedência) ou não fez o teste de adaptação com um oftalmologista”, comenta.
Estudos científicos permitem que os fabricantes desenvolvam produtos cada vez mais seguros e compatíveis com o organismo humano. Porém, quando colocadas sobre os olhos, as lentes de contato transformam-se em “corpos estranhos” e podem desencadear uma série de reações imunológicas.
Isso vale para qualquer tipo de lente, sejam elas corretivas, estéticas, transparentes, coloridas, rígidas, gelatinosas, tóricas, descartáveis, de uso prolongado, bifocais. A melhor maneira de se evitar problemas, segundo os médicos, é fazer uma consulta com o oftalmologista.
O profissional vai avaliar um conjunto de critérios que são essenciais para a adaptação das lentes. Vai fazer testes e vai orientar o paciente sobre os cuidados necessários na manipulação, colocação, permanência, higienização e no armazenamento delas.
Uma das primeiras coisas que o médico avalia são as características individuais do paciente: o tipo de alteração visual que precisa ser corrigido, o grau do distúrbio, as medidas da córnea. Depois, ele investiga os objetivos de uso: tempo de permanência, ambientes freqüentados, hábitos pessoais de higiene, se fumante ou não. Com isso, ele seleciona quais seriam as melhores opções para aquela pessoa.
O paciente é, então, encaminhado para o teste de adaptação - um procedimento que dura entre 30 e 60 minutos, em média. Depois de aprender como colocar a lente nos olhos, o paciente experimenta uma das opções selecionadas e aguarda alguns minutos.
“Então, fazemos exames para verificar se há boa mobilidade do material. A pessoa não pode sentir a lente, não pode haver incômodo. Temos que checar se ofereceu a melhor visão possível, porque o grau da lente é sempre menor que o do óculos”, descreve Erika. Todas as opções são testadas até que se defina qual é a melhor escolha.
O usuário recebe, então, as orientações sobre a manutenção das lentes e é orientado a fazer uma nova consulta a cada seis meses para monitorar a saúde dos olhos.
“Fora isso, é preciso prestar atenção à ‘voz’ dos olhos. Se eles estão calmos, brancos, sem lacrimejamento ou secreções, tudo bem. Se estiverem vermelhos, doloridos, com secreção, pálpebras inchadas, eles estão ‘falando’ que é preciso suspender o uso das lentes e procurar um médico. Fazendo assim, você evita que o problema evolua para uma lesão mais grave”, recomenda Busch.
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Curiosidade
Foi em 1508 que o sábio e artista Leonardo da Vinci imaginou as primeiras lentes de contato. Quase quatro séculos depois, em 1887, foram criadas as primeiras lentes de contato, de vidro. Em 1918 surgiu a primeira lente para uso por todo o dia. As lentes de contato gelatinosas foram inventadas em 1971. A vaidade ganhou uma nova arma em 1982, com o lançamento das lentes de contato coloridas. Em 1987, foram criadas as lentes descartáveis.
Fonte: Laboratório Novartis