O dinamismo da vida moderna e suas múltiplas injunções que levam a mulher cada vez mais longe das lides domésticas e da criação de filhos só se tornou possível a partir da instituição das creches. O grande sustentáculo da pirâmide social, que é a classe média trabalhadora, até antes das creches, foi vivendo cada vez mais apertada, com o único ordenado do marido, até que não deu mais e a mulher teve de ir à luta, e porque então já havia ela conquistado o seu lugar ao sol e já começava a buscar sua realização pessoal, por meio do trabalho.
Mas e como ficavam os filhos que viviam aos cuidados das mães até os sete anos, quando só então saíam de casa para irem à escola? Foi aí que surgiram, para os casais mais abonados, as escolas maternais e os berçários particulares, aos quais poucos e cada vez menos podiam pagar, uma vez que o poder aquisitivo ia ficando cada vez menor. Eis que então surgem, como anjos salvadores das famílias da classe trabalhadora, conspícuas e abnegadas senhoras, muitas delas recrutadas entre professoras e outras profissionais altamente qualificadas e cheias de calor humano e amor para dar, a multiplicarem as creches, de iniciativa de abnegados cidadãos particulares, entidades religiosas de diversos credos e, principalmente, como em Bauru, por parte da prefeitura municipal, que procura cada vez mais multiplicar creches, para que todas as crianças tenham onde ficar, como se alimentar, receber cuidados, sem ter de procurar nas ruas a sua sobrevivência, enquanto seus pais trabalham.
Há que se louvar o trabalho não só das amáveis senhoras que dedicam suas horas de lazer a comandar essas creches, mas também o trabalho daquelas funcionárias que embora recebam um salário para cuidar das crianças, fazem mais do que os salários lhes pagam, porque dão de graça o amor e o carinho a elas, no lugar de suas mães, avós e tias, que se tornaram profissionais e não podem ficar em casa a cuidar delas, como se faziam antigamente. Louvemos também prefeitos como o de Bauru, que nas atuais circunstâncias tem providenciado para que as creches possam receber as crianças que serão futuros cidadãos dignos desse nome, ao invés de marginais criados nas ruas. As creches são sementeiras de futuros cidadãos, em oposição ao crescimento da vagabundagem e sua conseqüente marginalidade, por isso é que a creche tem tão importante função social.
Isolina Bresolin Vianna - RG 3.027.94