Regional

Confirmado 2º caso de leishmaniose

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 3 min

Guarantã - A Secretaria de Saúde de Guarantã (78 quilômetros a Noroeste de Bauru) confirmou ontem o segundo caso de leishmaniose no município. A vítima é uma menina de 1 ano e 6 meses e está internada no Hospital das Clínicas de Marília.

O anúncio foi feito quatro dias depois da morte de um menino de 8 anos, que também havia contraído a doença na cidade. Foi a primeira morte por leishmaniose registrada na região desde outubro do ano passado. A vítima, na ocasião, foi um homem de 40 anos, que residia em Bauru, segundo informou a Secretaria de Estado da Saúde.

O nome da menina está sendo mantido em sigilo. O secretário municipal de saúde de Guarantã, José Luiz Calderari, informou que ela passa bem e que a possibilidade de cura é grande.

Para evitar que a doença se alastre pela cidade e outras pessoas sejam atingidas, o secretário esteve reunido ontem com funcionários da Vigilância Sanitária, da Superintendência de Controle de Endemias (Sucen) e do Instituto “Adolfo Lutz” para traçar planos de combate ao mosquito transmissor (Lutzomia longipalpis) e de identificação de animais contaminados.

Ficou decidido que hoje e amanhã três agentes de saúde do município vão participar de um treinamento para nebulização das residências. O trabalho deverá começar na próxima segunda-feira e abrangerá toda a cidade.

Os funcionários receberão máscaras da prefeitura e o inseticida será fornecido pela Sucen, segundo informou Calderari.

Pela quantidade de agentes envolvidos na pulverização, a previsão é de que apenas seis casas sejam visitadas em um dia de trabalho.

Segundo o secretário, o procedimento será um pouco demorado porque, além do quintal, a pulverização será feita também dentro das residências e as pessoas terão de permanecer cerca de duas horas do lado de fora.

A ação será centrada na Vila José Ortiz, onde reside a menina de 1 ano e 6 meses que está contaminada, e na redondeza. Ao todo, cerca de 270 casas, que ficam além da estrada de ferro, serão visitadas.

Segundo o secretário, não há previsão de pulverização nas residências que ficam antes da linha férrea. Ou seja, que estão mais próximas ao Centro da cidade.

Coleta de sangue

Outra frente de trabalho incluirá a coleta de sangue de todos os cães que vivem também além da linha férrea.

Inicialmente, a idéia era fazer o trabalho num raio de 200 metros a partir da casa da menina - como foi feito quando se soube do primeiro caso na cidade. No entanto, a ação foi considerada restrita e desta vez será ampliada. De uma ponta a outra do bairro são quase mil metros de distância.

Para a coleta de sangue, os agentes não precisarão passar por treinamento, porque eles já vêm fazendo o serviço desde o ano passado.

Segundo Calderari, os quatro funcionários que vão fazer o trabalho foram imunizados, por meio de vacina, contra as possíveis mordidas dos cães.

O sangue coletado será encaminhado ao Instituto “Adolfo Lutz”. Para agilizar o trabalho e apressar a divulgação dos resultados, as amostras passarão a ser examinadas em Marília, e não mais em São Paulo, como vinha sendo feito.

Só serão mandados para a Capital os exames que derem positivo e que necessitam de uma contraprova. Em caso de confirmação do resultado, o animal será sacrificado, segundo informou o secretário.

Enquanto as análises estiverem em andamento, os animais considerados suspeitos serão levados ao antigo matadouro da cidade, onde ficarão em observação. O prédio está sendo reformado pela prefeitura e terá telas de proteção para evitar a entrada do mosquito Lutzomia longipalpis, transmissor da doença. A previsão é de que o local fique pronto até amanhã.

Sintomas

Em humanos, os sintomas da leishmaniose são febre prolongada, tosse seca e emagrecimento. Já nos cães, a doença pode ser diagnosticada através da perda de peso, além de sintomas como fraqueza, queda de pêlos, crescimento de unhas, febre regular e feridas no focinho, orelha e patas.

O mosquito transmissor da doença procria-se no lixo orgânico em decomposição, em quintais e terrenos baldios e fezes de animais.

Quando atinge o homem, a leishmaniose tem cura se diagnosticada no início da contaminação. Mas nos animais, a doença costuma ser fatal.

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