Responsável por novos buracos nas ruas e causa de transtorno para parte da população, a chuva que não dá trégua há quase uma semana é lucrativa para setores como lavanderias, locadoras de vídeo, comércio de sombrinhas e capas e inclusive para os taxistas: o movimento de clientes aumenta em até 50%.
A chuva acumulada neste mês em Bauru, até ontem à tarde, era de 236 milímetros, 16 a mais que a média histórica de janeiro, que é de 220 milímetros, de acordo com medição do Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet). Rochele Ramos, sócia-proprietária de uma lavanderia na área central da cidade, conta que o número de clientes chega a dobrar em períodos de chuva prolongada.
“Muita gente que normalmente lava roupas em casa, nesta época procura a lavanderia e, às vezes, traz as roupas apenas para secar”, diz. Janeiro, ressalta Ramos, geralmente é um mês de bom movimento para as lavanderias. “Perde apenas para o inverno, época que as pessoas não conseguem secar as roupas de frio em casa”, explica.
A professora Lúcia Helena Ferreira teve que recorrer ao serviço de uma lavanderia nesta semana. “Com três filhos, não dá para ficar sem lavar roupa por muito tempo e não adianta lavar em casa porque não seca. Fica com cheiro ruim”, diz. O empresário Aldino Guandalini, cliente assíduo de uma lavanderia, afirma que é muito prático recorrer ao serviço. “Eu, que moro sozinho, só lavo roupas na lavanderia”, diz.
Os estudantes, em geral, preferem o auto-serviço: compram fichas e eles mesmo colocam suas roupas nas máquinas de lavar e secar. “É um sistema mais barato”, diz Rochele Ramos. Já atendendo 10% mais clientes que o normal, Débora Fernandes Felício, funcionária de uma outra lavanderia da cidade espera que o movimento aumente ainda mais se chover neste final de semana.
Sem sol, o programa mais prático para quem ainda está em férias ou de folga é ver um filme em casa mesmo. “A chuva aumenta o movimento. Ontem (anteontem), alugamos 280 filmes, quando o normal é 200”, conta Rafael Tadashi Abe de Lima, atendente de uma rede de locadoras da cidade.
Com as vendas em alta desde o início do mês, Soraya Mussa Yusses, dona de uma loja especializada em artigos de proteção contra a chuva na área central, conta que até quem não gosta muito de sombrinha ou guarda-chuva acaba usando. “A moçada, que geralmente não gosta muito de sombrinha, está comprando mais a feita em material transparente”, diz.
Outro modelo bastante vendido, segundo Yusses é um guarda-chuva maior que o tradicional. “Como ele é grande, protege mesmo. O único inconveniente é que a pessoa que está com o guarda-chuva toma conta da calçada”, brinca. Se continuar chovendo na próxima semana, ela espera aumento maior nas vendas. “Estamos no final do mês e muita gente está sem dinheiro”, diz.
Apesar de reclamar de queda na clientela, um taxista que preferiu não ter o nome divulgado afirma que a chuva ajuda sim. “Aumenta a procura, mas só na hora da chuva. Normalmente só pega táxi por causa da chuva as pessoas idosas, aposentadas. Mas não adianta muito porque as ruas ficam esburacadas e o dinheiro que a gente ganha a mais fica na oficina”, frisa.
Mesmo com reclamações como a do taxista, Arlindo Figueiredo, secretário das Administrações Regionais (Sear), afirma que a cidade está suportando bem o período chuvoso. “Todas as Regionais Administrativas estão trabalhando na operação tapa-buracos, mas com excessão da erosão no Parque das Nações, não tivemos problemas graves”, afirma.
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Previsão
A previsão do Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) para hoje em Bauru é de pancadas de chuvas e trovoadas isoladas, com temperaturas elevadas - máximas entre 30 e 32 graus. O tempo deve permanecer inalterado até domingo.
Já a tendência para segunda-feira é da chegada de uma nova frente fria ao litoral paulista. De acordo com o Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC), o verão de 2004 no Estado de São Paulo terá chuvas em fevereiro, a exemplo de janeiro, acima ou em torno da média. Para o mês de março, o prognóstico do modelo indica chuvas abaixo da média.
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