Em 1951, logo após o término da 2.ª Guerra Mundial, ocasião em que a Itália começa a reconstruir sua vida política, na introdução de um artigo (Convite ao Colóquio), o filósofo Norberto Bobbio, nascido em Turim, em 18/10/1909, escrevia: “A tarefa dos homens de cultura é hoje, mais do que nunca, semear dúvidas, não colher certezas”.
Essa frase define uma forma de engajamento, própria de quem se dispõe a defender os direitos da razão contra o dogmatismo e o fanatismo. “É uma filosofia militante”, afirmava, mas não a serviço de um partido, de uma igreja ou de um Estado. Bobbio foi capaz de manter, polemizando, um “diálogo civil” com os católicos e com os comunistas, recusando a militância num ou noutro: os dois grandes grupos comandavam a reconstrução italiana.
Em seu livro “Teoria Geral da Política”, transparece o respeito a esses temas. Fica evidente ainda que a sua concepção dos direitos não se confunde com o liberalismo extremado. É uma concepção histórica, segundo ele, a noção do direito ao mínimo necessário para viver: isso implica obrigações para o Estado, “intervenções de política econômica inspiradas em algum princípio de justiça distributiva”. Na concepção de poder político, Bobbio não diferia essencialmente de Max Weber. Para ele, “o político se distingue de outras formas de poder pelo fundamento da obediência que lhe é prestada e pelo uso da força como recurso legitimado.
No “Dicionário de Política”, organizado por ele, Nicola Matteuci e Gianfranco Pasquino, a política é definida como ”Forma de atividade ou de praxis humana, um conceito que está intimamente ligado ao poder”. Já o poder, é definido como “Relação entre dois sujeitos, dos quais um impõe ao outro a própria vontade e lhe determina o comportamento”, poder esse que se reveste de legalidade, quando “é exercido de conformidade com as leis estabelecidas ou pelo menos aceitas”. O poder é, em síntese, “a capacidade ou possibilidade de agir, de produzir efeitos.”
Bobbio, considerado um dos mais importantes filósofos do século 20, nomeado senador italiano vitalício em 1984, e chamado pelo atual presidente italiano, Carlo Azeglio Ciampi, como “Mestre da Liberdade”, faleceu no último dia 9/1/04, em Turim, norte da Itália, conforme publicou o Jornal da Cidade, de 10/1/04.
Tito Pereira - CRO/DF-546