Bairros

Para conselho, mudanças são urgentes

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 4 min

A ampliação dos serviços e oportunidades oferecidos aos idosos é urgente em Bauru. A opinião é da vice-coordenadora do Conselho Municipal da Pessoa Idosa, Eliana Batista de Souza Juarez.

Ela afirma que falta atendimento principalmente para o idoso carente. “O idoso que tem melhores condições de vida pode freqüentar atividades pagas. Para o idoso que depende de recursos públicos, falta lazer, faltam mais espaços de atendimento”, avalia.

Uma das principais queixas recebidas pelo conselho, de acordo com a vice-coordenadora, refere-se à ausência de opções de lazer para a terceira idade nos bairros. “Não se tem lazer para o idoso. Ele não tem outras oportunidades”, salienta.

Eliana afirma que, entre os mais de 30 mil idosos que habitam Bauru atualmente, a maioria não participa de qualquer tipo de atendimento voltado à terceira idade. “Os recursos que temos ainda não são suficientes, principalmente para a população mais carente. Falta recurso sim”, reforça.

A urgência na ampliação do atendimento direcionado ao idoso é uma das diretrizes estabelecidas na 2.ª Conferência Municipal da Pessoa Idosa, realizada em novembro de 2003.

“O idoso fica deprimido quando não tem outras necessidades. Ele aposenta, os filhos vão embora e ele fica sem objetivos”, argumenta Eliana.

Sugestões

A vice-coordenadora do conselho sugere que a prefeitura faça praças esportivas e desenvolva mais programas para a terceira idade. “A prefeitura poderia desenvolver projetos para essa população utilizando os espaços comunitários, como núcleos de saúde e centros comunitários”, observa.

Eliana afirma que existem propostas de órgãos municipais que ainda não foram executadas. “Mas, infelizmente, eles (os programas para terceira idade) não ocorreram. Estão ainda no papel. A prefeitura pode fazer até em parceria com as universidades”, avalia.

Segundo Eliana, o Conselho Municipal da Pessoa Idosa já solicitou à Secretaria Municipal do Bem-Estar Social (Sebes) que o programa Ponto de Encontro da Terceira Idade seja ampliado. Ele tem como objetivo promover a inserção social do idoso através de atividades educativas e socioculturais.

Apesar dos problemas, ela destaca boas iniciativas em Bauru direcionadas ao idoso, tais como as promovidas pela Universidade do Sagrado Coração (USC), Serviço Social do Comércio (Sesc), Serviço Social da Indústria (Sesi) e Associação dos Aposentados e Pensionistas de Bauru e Região.

“Além disso, o trabalho do Promai (Programa de Atendimento ao Idoso) é excelente, mas não consegue atender toda a demanda”, ressalta.

Outro ponto positivo é o atendimento assistencial nos abrigos de que Bauru dispõe. “Os abrigos são fiscalizados pela Sebes, pelo Conselho do Idoso e Conselho de Assistência”, expõe Eliana.

Ela salienta a importância de iniciativas por parte dos prórpios idosos. No Conselho Gestor do Parque Vista Alegre, por exemplo, 90% dos membros são pessoas da terceira idade. Eles reúnem-se e fazem atividades para colaborar com o Conselho Municipal de Saúde.

“Mas o Vista Alegre é um bairro de classe média. Não é um bairro de periferia, em que eu acredito que o problema seja maior”, diz a vice-coordenadora.

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Igreja

As igrejas de Bauru acabam sendo alternativa para as comunidades de terceira idade dos bairros. Além de freqüentar missas e cultos, muitos idosos organizam e participam de atividades beneficentes promovidas por paróquias.

É o caso de Linda Tentor Ribeiro, 76 anos, moradora do Centro. Além de freqüentar as missas da Paróquia Santa Terezinha, ela e um grupo de amigas costuram para a igreja. “Fora isso, eu não faço nada”, diz.

De vez em quando, ela participa do bingo da igreja. Já acostumada à rotina, Linda diz que não sente falta de outras atividades de lazer no bairro. “Aqui está difícil porque onde eu moro está ficando só comércio”, conta. “Mas eu estou muito feliz assim”, acrescenta.

Prova de que os bairros carecem de atenção à terceira idade são as iniciativas isoladas das comunidades, visando tapar o buraco deixado pelo poder público.

Na paróquia Nossa Senhora das Graças, um grupo de terceira idade criado em 2003 reúne-se semanalmente. Moradora do Parque Vista Alegre, Ana Conceição Ulian Gomes, 59 anos, leva às reuniões ensinamentos que aprende em um programa pago voltado à terceira idade.

“Eu procuro prestar bastante atenção, escrever, e trazer para as minhas amigas da paróquia. É uma coisa que faz a pessoa pensar. Eles gostam muito”, afirma.

Observando o comportamento dos idosos do bairro, Ana Conceição chegou à conclusão de que os idosos precisam de mais atendimento. “A gente vê que as pessoas necessitam de uma atividade, de coisas diferentes. Faz muito bem para a pessoa. No meu modo de ver, é uma necessidade”, enfatiza.

Ana Conceição conta que tem muitos vizinhos velhos e ociosos. Além da inatividade, ela avalia que eles são solitários.

“Eu achava que quando eu tivesse 50 anos eu já estaria para baixo, sem expectativa nenhuma. Agora, com 60 anos, eu me vejo muito ativa e com muita vontade de participar das coisas”, conclui.

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