O grave problema do desemprego é uma questão que está na mesa (ou no prato) de muitas famílias brasileiras. Atinge todas as profissões, classes sociais e idades. A situação que mais preocupa é a das pessoas que já passaram dos 40 anos. A falta de vagas para os trabalhadores que chegam a essa faixa, e ainda estão longe da aposentadoria, tem múltiplas causas, aí incluído, obviamente, o baixíssimo crescimento da economia nos últimos anos. Uma vez demitida, raramente uma pessoa nessa faixa etária consegue retornar ao mercado de trabalho. Para os mais jovens, o governo lançou o programa Primeiro Emprego, mas nada fez para incentivar a recontratação dos mais “experientes”, provocando uma grande injustiça social.
De acordo com dados do IBGE, a taxa média de desemprego nas seis principais regiões metropolitanas do país foi de 12,3 % em 2003, contra 11,7% em 2002. Em números, isso significa que, dos 21,194 milhões de pessoas que compõem a PEA (População Economicamente Ativa), 18,892 milhões estão ocupadas e 2,302 milhões, desocupadas. Na região metropolitana de São Paulo, por exemplo, a taxa média de desemprego atingiu novo recorde em 2003. A taxa aumentou de 19% em 2002 para 19,9% no ano passado. A política econômica que priorizou o combate à inflação em lugar do crescimento agravou a situação no primeiro ano do governo Lula. A renda média do brasileiro caiu 12,5% em 12 meses, para R$ 830,00, e a falta de oportunidades fez a informalidade explodir. O número de trabalhadores sem carteira assinada cresceu 17% em dezembro de 2003 em relação a dezembro de 2002. Os números escondem uma realidade perversa. O mercado de trabalho formal está excluindo quem passa dos 40 anos. Grande parte desses desempregados fica desamparada. E com eles, suas famílias.
O mercado no Brasil está passando por transformações muito rápidas e drásticas. Sem dúvida, muitos foram devorados pelo rápido avanço da tecnologia, onde complexos processos de automação, tanto em gerenciamento como em produção, substituem o homem pela máquina. Basta ver o que ocorreu em linhas de montagem ou nos sistemas de plantio e colheita no campo. No sentido inverso, não houve investimentos suficientes em educação e qualificação de mão-de-obra. Também é comum empresas privadas demitirem funcionários experientes para contratar jovens com salários mais baixos, como forma de cortar custos. É premente que o poder público olhe para o drama dessas pessoas. Mas não podemos ficar de braços cruzados, esperando unicamente os investimentos do governo federal na geração de empregos. Uma idéia simples e objetiva é dar oportunidades especiais a essa faixa etária em concursos públicos. Determinadas funções administrativas ou mesmo de limpeza pública e jardinagem poderiam ser reservadas para desempregados acima de 40 anos.
O autor, João Carlos Vitte, é prefeito da cidade paulista de Santa Gertrudes.