Política

DAE quer contratar serviço de corte e religação de água

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 3 min

O Departamento de Água e Esgoto (DAE) de Bauru deve iniciar, nas próximas semanas, um processo de licitação para a contratação temporária por três meses de uma empresa que prestará serviço de corte e religação de água. A informação foi confirmada pela presidente da autarquia municipal, engenheira Nilcéia de Paes Lourenço. Se não ocorrer imprevisto, a comissão que estuda a contratação do serviço deve apresentar até o próximo dia 15 a previsão orçamentária de custos.

A direção da empresa aponta duas justificativas para a contratação do serviço: número insuficiente de servidores para fazer o corte e a religação de água e alta taxa de inadimplência – cerca de 25% do total de 120 mil usuários do sistema (aproximadamente 30 mil), responsável por uma dívida de R$ 750 mil. Na avaliação de Nilcéia, se o DAE não recuperar a credibilidade no corte de água, vai ficar difícil diminuir a taxa de inadimplência, que na sua opinião é aceitável até a casa dos 15%.

Ela explica que uma força-tarefa, equipe formada por 15 servidores que se deslocam com motos, consegue manter em dia o corte e a religação de água em três dos cinco setores que compõem o sistema de distribuição de água da cidade. O problema de corte e religação está localizado nos setores quatro e cinco, que abrangem as regiões do Parque Vista Alegre, Jardim Godoy, Bela Vista e Nova Esperança, respectivamente.

Devido à escassez de mão-de-obra, a autarquia municipal não consegue cortar o fornecimento de água dos usuários inadimplentes no prazo previsto. O corte ocorre a partir do segundo mês na qual é registrada a falta de pagamento. Nilcéia, porém, não apontou qual é o período que um inadimplente fica com o fornecimento de água ligado mesmo estando com mais de dois meses em atraso com o pagamento da tarifa e quantos encontram-se nessa situação hoje.

Na opinião da engenheira, a virtual contratação do serviço de corte de água poderá recuperar a credibilidade da autarquia. “Os usuários vão deixar de atrasar o pagamento da tarifa porque sabem que o DAE vai cortar a água se isso ocorrer”, acredita. Mesmo pagando pelo serviço de corte e religação, a presidente da empresa defende que haverá um ganho na receita, cujo percentual ainda é desconhecido.

Reajuste da tarifa

Dentro do pacote de estudos que estão sendo feitos, a presidente do DAE pediu um levantamento de todos os índices de insumos (energia, produtos químicos, etc.) que fugiram do orçamento da empresa. “Muitas tarifas foram corrigidas acima dos índices previstos da inflação. Temos que estudar a possibilidade de um reajuste na tarifa da água. Mas quero deixar bem claro que isso ainda não foi conversado com o prefeito Nilson Costa. Pode ter certeza que não há um número para isso”, garante.

Ela avalia que a autarquia precisa implantar um novo sistema de tarifação em relação ao que é aplicado hoje, dividido por faixas de consumo. “Gostaríamos de chegar a um valor real do custo do metro cúbico, manter a tarifa social para quem está desempregado, para deficientes. Hoje, a tarifa social (benefício que estipula a não cobrança para quem gasta até cinco metros cúbicos de água por mês) atinge a cidade inteira”, explica.

O último reajuste de tarifa aplicado pelo DAE ocorreu no início do ano passado. Os consumidores residenciais tiveram suas contas aumentadas em 45%, com o percentual sendo dividido em duas vezes – 30% em janeiro e mais 15% em fevereiro de 2003. Já os usuários comerciais/industriais amargaram com 25% de reajuste: 15% em janeiro e mais 10% em abril do mesmo ano.

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